Fundos de ações têm ganho modesto em 5 anos

Uma pesquisa do Ibmec Educacional para a Agência Estado revela que, nos últimos cinco anos e meio, os fundos de ações tiveram a menor valorização acumulada entre todos os segmentos dessa indústria. De acordo com o professor Antonio Zoratto Sanvicente, coordenador do estudo, o ganho real (descontada a inflação) dos fundos de ações ficou em 11,84% de junho de 1996 a dezembro do ano passado. No mesmo intervalo, os fundos cambiais tiveram resultado positivo de 139,46% e os de renda fixa, de 69,34%.Para o diretor de renda variável da BankBoston Asset Management, Julio Ziegelmann, os últimos cinco anos apresentaram uma concentração de crises incomum. "Tivemos crise da Ásia, da Rússia, desvalorização do real, crise argentina, atentados e desaceleração econômica nos EUA", lembrou.O diretor de investimentos do ABN Amro Asset Management, Alexandre Póvoa, avalia que são necessárias duas variáveis para que a Bolsa se configure um bom investimento: desenvolvimento econômico e juros baixos.Ele observa, porém, que nos últimos cinco anos e meio o crescimento médio do Brasil foi modesto, considerando ser um país emergente, e "as taxas de juros reais ultrapassam dois dígitos". Enquanto o principal referencial do mercado de renda variável - o Ibovespa - teve ganho real 37,80% no período, os fundos de ações mostraram valorização inferior em 25,96 pontos porcentuais, segundo os Índices AE/Ibmec.No caso dos fundos cambiais, a variação é de quase 100 pontos. Nos últimos cinco anos e seis meses, o dólar apontou alta acumulada de 41,71%, enquanto os fundos atrelados a papéis cambiais tiveram ganho de 139,46%.Os fundos de renda fixa também tiveram performance superior aos de ações, e foram os que mais se aproximaram do seu "benchmark" (referencial), o Contrato de Depósito Interfinanceiro (CDI). Desde o começo da pesquisa do Ibmec, a valorização dos fundos foi de 69,34%, ante 89,03% do CDI.Póvoa, do ABN, avalia que o incentivo para migrar da renda fixa para a variável é muito baixo, já que as taxas de juros são elevadas. Além disso, diz, a carga tributária que incide sobre o investimento em ações é pesada. Na opinião dos especialistas, ainda não chegou a hora de os fundos de ações iniciarem uma recuperação.

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