Fundos de investimento devem se afastar da Bolsa

As aplicações em renda variável não devem ocupar grande espaço nas carteiras dos fundos de investimento este ano. Segundo especialistas, as eleições trarão volatilidade e o pouco espaço para queda de juros limitará o ganho na Bolsa."O custo de oportunidade no País ainda não estimula a entrada em Bolsa de Valores", afirmou o diretor de investimentos da ABN Amro Asset Management, Alexandre Póvoa. Ele lembrou que com uma taxa básica de juros a 19% ao ano, o chamado "patamar real", que desconta a inflação, fica em atraentes 15,5% caso o País cumpra a meta de inflação (3,5%) para 2002.Como o País estourou o patamar inflacionário acertado em 2001 (4%), Póvoa acredita que o governo será mais conservador este ano. "Não cumprir a meta por dois anos consecutivos afetaria seriamente a credibilidade do País." Devido à volatilidade provocada pela corrida presidencial, no entanto, Póvoa entende que o predomínio nos pregões será dos "investidores qualificados", ou seja, aqueles com elevado potencial financeiro.A diretora de gestão da Fator Administradora de Recursos, Roseli Machado, também prevê dependência do ritmo econômico dos Estados Unidos, espaço limitado para queda de juros e instabilidade na Bolsa - com reflexo direto no portfólio dos fundos: "O governo buscará um recado de estabilidade e os juros e o dólar não devem oscilar muito."Valmir Celestino, gestor de renda variável do Banco Safra, disse que duas hipóteses podem trazer um alento aos pregões em 2002: o candidato do governo com chances reais de ganhar as eleições e a diminuição expressiva, ou extinção, do racionamento de energia.Em relação ao aumento na alíquota de Imposto de Renda (IR) nos investimentos em renda variável, de 10% para 20%, os especialistas acreditam que a mudança não terá peso relevante na indústria de fundos. "É algo ruim, mas quem aplica em Bolsa não vai deixar de investir por causa disso", afirmou Celestino.Póvoa, do ABN, ressaltou ainda que tal público procura rentabilidade, mas também está acostumado a correr risco. "No entanto, é contraditório porque o governo estimula o mercado e ao mesmo tempo quer uma fatia maior do que o investidor vai ganhar." Ele criticou a resolução que reduz os limites para aplicação em renda variável por parte dos fundos de pensão. Ele disse que, num primeiro momento, a lei pode forçar a venda de participações acionárias - afetando negativamente o mercado.

Agencia Estado,

08 de janeiro de 2002 | 08h57

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