Regis Duvignau/Reuters
Regis Duvignau/Reuters

Fundos de investimento em vinho e arte já são opções disponíveis no Brasil

Ainda neste ano, fundo em cinema nacional deve estar na prateleira; modalidades funcionam bem para diversificar carteira, segundo especialistas

Roberta Scrivano, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2011 | 00h00

Aplicar em fundos de investimentos de arte, vinhos, selos, joias, times de futebol. Já pensou? No Brasil, por enquanto, só existem as modalidades de arte e vinhos. Mas a tendência é de aparecerem cada vez mais novas alternativas. A próxima, por exemplo, será um fundo de investimento em cinema nacional, administrado pela Plural Capital.

Esses fundos funcionam da seguinte forma: o administrador vende as cotas da aplicação. Com os recursos arrecadados, adquire os ativos (vinho, arte, películas de cinema, etc). Com o tempo, os materiais tendem a se valorizar e são vendidos. Daí vem a rentabilidade do fundo.

"É uma modalidade indicada para diversificar a carteira", diz Rogério Bastos, diretor da consultoria FinPlan. "São ativos relativamente exóticos e descolados da renda variável e da renda fixa", completa Eduardo Dotta, professor de finanças do Insper.

Os dois especialistas salientam que a modalidade vem para ser um item de diversificação da carteira e não para ser o mote dos investimentos. "Não tem risco de mercado. O risco é, por exemplo, acontecer uma crise e o produto perder a liquidez", observa Dotta.

Com cacife. Nos fundos alternativos, as cotas também não são baratas, o que afunila a participação dos investidores. No fundo de investimentos em arte, administrado pela Plural Capital, por exemplo, a cota inicial era de R$ 100 mil. "Mas somos um fundo fechado, não dá mais para entrar", explica Heitor Reis, sócio do fundo batizado de Brazil Golden Art.

A Plural Capital, porém, parece ter gostado do negócio. "Nossa intenção é lançar mais fundos desse tipo", adianta Reis. Os interessados em participar, portanto, devem ficar de olho nos lançamentos para comprar cotas.

Entusiasmado com o potencial desses produtos ainda incomuns no mercado investidor, Reis conta que, em algumas semanas, o grupo de sócios da Plural Capital já terá estruturado um novo fundo em cinema nacional. Os detalhes, no entanto, ele ainda não pode dar.

No fundo de investimentos de vinho - que é aberto -, a menor cota é de R$ 1 milhão. "Aqui no Brasil esse tipo de aplicação é para investidor super qualificado", diz Alexandre Zákia, da Cult Invest, que administra o único fundo de investimentos em vinho do País, chamado de Bordeaux Wine Fund Multimercado. Investidores internacionais também podem comprar cotas do fundo. "Daí o valor mínimo ser de 100 mil", explica.

O fundo em vinhos só investe em caixas com 12 garrafas de vinhos Bordeaux de safras entre 1982 e 2007. "Temos gestão ativa. São muitos vinhos. Escolhemos apenas aqueles com maior potencial de valorização", comenta Zákia.

Segundo ele, existem cerca de 20 fundos de investimentos em vinhos ao redor do mundo. "Os "alternative funds" já somam cerca de 8% de todos os ativos alocados fora do Brasil", estima.

Perspectiva. Especialistas na área afirmam que a perspectiva para essa modalidade de fundo de investimento é bastante positiva, mas sua evolução será gradual. "À medida que a taxa de juros começar a cair no Brasil, naturalmente terão de surgir alternativas de investimentos para que os ganhos sejam significativos. Esses fundos são uma possibilidade", pontua Rogério Bastos, da FinPlan.

Dotta, professor do Insper, concorda com Bastos. "A aparição de outros fundos será lenta. Mas a tendência é de as rentabilidades dos alternativos serem cada vez mais atrativas, o que naturalmente vai tornar o investimento interessante", completa.

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