Fundos de investimento voltam a ter saques

Os fundos de investimento, que vinham tendo uma pequena captação líquida positiva, voltaram a ter saques altos. No dia 20, de acordo com o site Fortuna (ver link abaixo), a retirada líquida foi de R$ 107 milhões. Essa saída de recursos foi um pouco menor que a dos dias anteriores, mas a diferença é que os fundos DI e de renda fixa, que no dia 17 haviam captado, retomaram a antiga tendência com saques líquidos.No dia 17, os fundos DI (pós-fixados) tiveram captação líquida de R$ 119 milhões e os de renda fixa (prefixados), de R$ 359 milhões. No dia 20, os saques líquidos foram de R$ 10 milhões e de R$ 99 milhões, respectivamente. No mês, o total da retirada desses fundos foi de R$ 1,6 bilhão (DI) e de R$ 867 milhões.Os únicos fundos que registraram captação líquida no dia 20 foram os de investimento no exterior, com entrada de R$ 155 mil, e os previdência, com depósitos de R$ 16 milhões. Entretanto, esses fundos, por se tratarem de investimentos de longo prazo em função da aposentadoria do investidor, têm um comportamento diferente dos demais e dificilmente registram saques.Medo determina comportamento do investidorDe acordo com o site Fortuna, o Itaú foi o banco que registrou os maiores saques em fundos na semana passada, na ordem de R$ 234 milhões. O JP Morgan ficou em segundo lugar, com saída líquida de R$ 205 milhões; o Banco do Brasil, em terceiro lugar na saída de capitais, teve saques de R$ 141 milhões.A Diretora técnica do Instituto Brasileiro de Certificação de Planejadores Financeiros (IBCPF), Márcia Dessen explicou que o movimento principal de saques em fundos de investimento é feito nos bancos de varejo pelo pequeno investidor. "São pessoas menos capacitadas a entender e aceitar o que está acontecendo atualmente no mercado", disse.O momento de grande volatilidade dos mercados seria a principal causa de medo por parte desse investidor. "Estamos em um momento de tiroteio, em que é impossível entender o que se passa, e isso traz insegurança para o pequeno investidor", disse Márcia Dessen.Para a especialista, esse investidor pequeno prefere a segurança de uma poupança ou de um CDB para prevenir-se contra esse tiroteio. "Esse investidor, desorientado, acaba tomando a decisão de sair dos fundos para um investimento aparentemente mais conservador. Ele tem medo das perdas que pode sofrer permanecendo no fundo, mas não percebe que, se sai de um investimento que está garantindo um retorno de 1,30% ao mês para um que dará 0,60% ele terá perda, pois deixou de ganhar."Mas Márcia Dessen afirma que o momento é complicado para conselhos. "Quando o investidor está desconfiado, intranqüilo, ele se preocupa menos com o bom senso. Ele deve mesmo, então, procurar um investimento em que se sinta mais seguro, mas ele está se iludindo ao achar que está se prevenido ao fazer isso, pois pode estar optando por uma aplicação de baixa rentabilidade, e até perder dinheiro na transação."BB: saída foi de grande investidorO gerente executivo para aplicação em fundos de varejo do Banco do Brasil, Irvando Hoff informou que, ao contrário da tendência, os fundos para pequeno investidor, chamados de varejo, tiveram captação positiva na semana passada. "Esses fundos têm mantido um crescimento suave, que resultou em saldo positivo na semana passada e está melhorando a cada dia."O que deixou o banco como uma das instituições com maior retirada líquida de capital na semana passada foram os chamados fundos exclusivos, para grandes investidores. O diretor executivo da BB Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (BBDTVM), Arnaldo Vollet, explicou que os fundos exclusivos tiveram um movimento anormal na semana passada. "Como esses fundos são para grandes investidores, uma única retirada representa uma grande saída de capitais", disse. Para o executivo, Os fundos do BB estão gradualmente recuperando as perdas do passado, especialmente os para pessoas físicas.Veja, nos links abaixo, matérias sobre a fuga de capitais dos fundos, além de cartilhas com dicas de investimento e análise de carteira de acordo com o perfil do investidor e o prazo da aplicação.

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