Fundos de pensão devem investir mais em infraestrutura

Patrimônio atual é de R$ 620 bilhões, o que equivale a 18% do PIB, e deve crescer para cerca de 40% em 20 anos

RIO, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 23h58

Com um patrimônio de R$ 620 bilhões, os fundos de pensão têm um papel de destaque no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. O patrimônio das fundações corresponde a 18% do PIB, mas a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) aposta que esse porcentual pode chegar a 40% em 20 anos.

Além do crescimento natural, a criação do Fundo de Pensão do Servidor Público Federal do Poder Executivo (Funpresp-Exe) também vai colaborar para incentivar o setor nos próximos anos. "A previsão é que esse fundo em 20 anos seja do tamanho que a Previ tem hoje", afirmou o presidente da Abrapp, José de Souza Mendonça. Atualmente, a Previ (fundos dos funcionários do Banco do Brasil) tem um patrimônio em torno de R$ 160 bilhões, sendo mais de 60% aplicados em ativos de renda variável.

"A entrada desse novo fundo propicia uma alavancagem da economia do Brasil. Quem quiser aproveitar o crescimento do setor terá de estruturar investimentos para oferecer bons retornos com segurança no longo prazo", explicou.

Mudanças. A perspectiva de um crescimento mais acelerado do patrimônio das fundações chega em um momento de queda das taxas de juros para a casa de um dígito. Movimento que vai exigir do setor mudanças nas aplicações dos recursos, hoje ainda muito concentrada em títulos públicos.

Para o diretor de Investimentos da Funcef, Maurício Marcellini, a tendência do setor é alocar cada vez mais para recursos no setor real da economia.

Segundo ele, a Funcef tem caminhado nessa direção por considerar que investimentos em infraestrutura oferecem retornos de longo prazo e com previsibilidade de receita, o que é bom para o setor, que precisa pagar mensalmente benefícios.

"Se olharmos os investimentos de private equity da Funcef, temos algo em torno de R$ 5,5 bilhões. Desse total, aproximadamente 70% estão no segmento de infraestrutura", revelou.

Já Mendonça prefere não arriscar dizer para onde vão migrar os recursos atualmente aplicados na segurança dos papéis públicos. Mas adianta que a fatia dos fundos em participações acionárias de empresas brasileiras deve crescer. Os três maiores fundos de pensão do País - Previ, Petros e Funcef - já tem uma parcela significativa de seus ativos nesse segmento.

"Infraestrutura também pode ser um bom negócio desde que se criem contratos que garantam retornos para os investimentos dos fundos por prazos longos", afirmou. Para ele, o mercado vai precisar se organizar para conseguir absorver o aumento da poupança previdenciária no País. O executivo classifica como "incipiente" a Bolsa de Valores de São Paulo, sem capacidade de possibilitar uma quantidade maior de bons investimentos de longo prazo.

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