Fundos de pensão ganham mais segurança

Os participantes de entidades de previdência privada fechada, os chamados fundos de pensão, poderão ficar mais tranqüilos em relação à complementação da sua aposentadoria no futuro, se prevalecerem as medidas estabelecidas pela Resolução n.º 2.720, do Banco Central. Segundo analistas e representantes das entidades, as medidas previstas para a aplicação dos recursos tendem a tornar o pagamento do benefício mais seguro.Conforme o consultor de investimento Thyrso Ferrato, da William M. Merce, consultoria especializada em previdência privada, a resolução põe em prática um novo modelo de administração de investimentos pelos fundos de pensão. Está baseada em três itens: a segmentação da aplicação; a abordagem do grau de risco; e a responsabilidade do administrador. Os investimentos estão classificados em seis segmentos: renda fixa; ações em mercado; especial; imóveis; empréstimos e financiamentos; e controle de exposição a risco.Além de estabelecer os limites nas aplicações, a resolução também prevê o grau de exposição a risco e de liquidez do investimento. Agora, um investimento enquadrado como renda fixa, por exemplo, poderá estar sujeito a um limite maior ou menor na aplicação, dependendendo da classificação da sua carteira em relação ao risco.A resolução amplia de 50% para 60% os investimentos que o fundo de pensão poderá fazer em renda variável; reduz gradualmente o limite de aplicação em imóveis, de 16% até 2002, para 10% em 2007. Além disso, unifica em 10% o limite relativo a empréstimos pessoais e financiamentos imobiliários; e proíbe empréstimos para a empresa patrocinadora do fundo de pensão. Ferrato acredita que a partir de agora os administradores vão ter de avaliar a qualidade do investimento e a possibilidade de perdas em um determinado período, de acordo com as variações ocorridas em cada segmento no mercado, tornando as operações mais eficientes. Abrapp prefere revisão critérios Embora concorde que a resolução traz mais transparência e segurança ao participante, o presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Privada (Abrapp), Carlos Duarte Caldas, diz que ao adotar os graus de liquidez, ela também limita a política de investimento dos fundos. Segundo Caldas, como a previdência é um investimento de longo prazo, os fundos de pensão não pontuam suas aplicações com base em liquidez. Por conta disso, ele diz que esses critérios deveriam ser revistos e está realizando reuniões de representantes da Abrapp com integrantes da Secretaria de Previdência Complementar (SPC). Os estudos serão encaminhados ao Banco Central.

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