Fundos de pensão: novas regras afetam a Bolsa

As novas regras para o investimento dos fundos de pensão no mercado acionário devem ser oficializadas até o final de março, após a aprovação do Conselho Monetário Nacional (CMN). Caso sejam aprovadas, de acordo com o que foi proposto pelo Banco Central (veja mais informações em link abaixo), poderão provocar fortes movimentos na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa)Júlio Ziegelmann, diretor de renda variável da BankBoston Asset Management, espera uma alteração muito forte nas carteiras de ações dos fundos de pensão. "A troca de papéis será significativa, mas não deixa de ser positiva, pois vai beneficiar as empresas que têm boa governança", afirma. No médio prazo, a expectativa dos analistas é de que o preço das ações incorpore essas mudanças. "Mas, até lá, o preço do papel pode ficar distorcido", prevê Paulo de Sá Pereira, diretor de estratégia de investimentos da Lloyds Asset Management (LAM). Alexandre Malfitani, administrador de fundos do Deutsche Bank Investimento, discorda. Ele acredita que não devem ocorrer distorções, pois o mercado financeiro antecipa os fatos e já valoriza várias empresas que têm características exigidas no nível 1, 2 e Novo Mercado da Bolsa (veja as características desses mercados no link abaixo). "O bom tratamento que essas empresas oferecem ao acionista minoritário já está no preço das ações", explica.Ziegelmann avalia que, no caso das empresas que tiverem suas ações cadastradas como nível 1, o valor dos papéis não deve apresentar nenhuma alteração, já que esse nível faz as exigências mais simples e a tendência é que a maiorias das empresas façam a adesão ao cadastramento. "Isso não será um diferencial", afirma o diretor.Alta no preçoMalfitani avalia que o único fato que pode mexer com o preço das ações é uma mudança, de fato, na forma de tratamento ao minoritário. É o caso da maioria das empresas relacionadas no estudo preparado pela Bovespa para a Agência Estado, que indicou as companhias com as maiores chances de serem cadastradas no nível 2 e Novo Mercado (veja o estudo completo no link abaixo).Nesse estudo, em relação às empresas com as maiores chances de cadastramento no nível 2, apenas a Ultrapar e Ideiasnet seguem a característica de tag along - garantia das mesmas condições de oferta dadas aos controladores aos acionistas minoritários no caso de venda do controle da companhia - associada às outras exigências dessa classificação. Vale destacar que essa é uma das condições mais importantes para o nível 2 e determina que as empresas ofereçam a todos os acionistas detentores de ações ordinárias (ON, com direito a voto) as mesmas condições obtidas pelos controladores, quando da venda do controle.Nesse sentido, Malfitani analisa que todas as que não seguem o tag along, mas possuem as outras exigências e decidirem rever sua posição para pedir o cadastramento do nível 2, podem registrar alta no preço projetado de suas ações ou, até mesmo, no valor atual dos papéis. É o caso, por exemplo, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e Sabesp.Expectativa para o Novo MercadoZiegelmann acredita que o preço das ações das empresas que farão parte do Novo Mercado também podem apresentar alta. Entre as seis empresas com as maiores chances de cadastramento nesse mercado - CSN, Rossi Residencial, Souza Cruz, IdeiasNet, Light e Sabesp -, a única a cumprir a exigência de tag along é a IdeiasNet. Ziegelmann avalia que as outras só cumprirão essa exigência se não tiverem o objetivo de fechar capital. Isso porque teria que pagar uma preço mais alto para recomprar as ações.De qualquer forma, para as empresas que estiverem listadas no Novo Mercado, a expectativa é de valorização para o preço das ações. "A determinação de que as empresas desse segmento emitam apenas ações ordinárias e sigam o sistema de tag along diminui o risco para os acionistas minoritários e isso eleva o preço da ação", justifica Pereira, da LAM.

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