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E-Investidor: como a queda do PIB afeta o mercado financeiro

Fundos de pensão perdem R$ 37 bi do superávit em 2008

Segundo secretário do Ministério da Previdência, 'foi um reflexo da redução dos valores das ações'

Isabel Sobral, Agência Estado

18 de março de 2009 | 15h13

Atingidos em cheio pelas fortes oscilações do mercado de ações em 2008, os fundos de pensão (entidades fechadas de previdência complementar) amargaram uma queda de R$ 37 bilhões no superávit geral do sistema do ano passado em relação ao ano anterior. O secretário de Previdência Complementar do Ministério da Previdência, Ricardo Pena Pinheiro, informou nesta quarta-feira, 18, que juntos os fundos de pensão registraram em 31 de dezembro de 2008 um superávit de R$ 39 bilhões contra um superávit de R$ 76 bilhões registrado no fim de 2007. "Foi um reflexo da redução dos valores das ações", afirmou o secretário.  

 

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Ele explicou, no entanto, que isso não significa que o sistema de previdência complementar esteja em perigo porque as entidades são investidores de longo prazo. "O resultado isolado de 2008 não acende luz amarela porque temos que analisar sempre um período mais longo, de pelo menos 36 meses para ver o comportamento da gestão das entidades", completou o secretário, ao anunciar hoje um balanço do setor no ano passado.

Os dados de 2008 revelam uma queda média na rentabilidade nominal das aplicações dos fundos de pensão de 1,27% em relação à meta atuarial geral do sistema que é conseguir uma rentabilidade de pelo menos 6% ao ano. Segundo o secretário, os fundos que tinham pelo menos 10% de seus investimentos em ações não atingiram a meta atuarial. O secretário destacou, no entanto, que no horizonte dos últimos cinco anos o sistema ainda acumula uma rentabilidade de 29,7%. "Há um gordura ainda grande", afirmou.

O susto causado pelas oscilações das bolsas de valores não deve impedir os fundos de continuarem se expondo a risco nas aplicações financeiras. Para o secretário, o cenário econômico atual, apesar das incertezas, aponta para momentos de juros ainda mais baixos e inflação controlada. "Nesse cenário, as entidades devem buscar fazer maior avaliação de riscos porque não é mais o cenário confortável do passado em que os títulos públicos por si só garantiam alta rentabilidade, com nenhum risco", afirmou. Ele acredita que as entidades continuarão tendo que buscar alternativas de investimentos à renda fixa como imóveis e títulos privados.

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