Fundos de previdência começam a se recuperar

Um dos maiores impactos provocados pela adoção da regra de marcação a mercado para os títulos que compõem a carteira dos fundos de investimento foi visto no resultado das carteiras de previdência cujos recursos estão alocados em fundos referenciados DI (pós-fixados). De acordo com dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), no dia 29 de maio - último dia antes do prazo final para a adoção da regra - a categoria Previdência Referenciado DI apresentou uma perda de 1,05%. Mas, a partir do início de junho, os títulos que compõem a carteira dos fundos começaram a se recuperar e a rentabilidade diária das carteiras voltou a apresentar desempenho positivo. Nos primeiros três dias úteis de junho, por exemplo, as cotas dos fundos de previdência referenciados DI apresentaram ganhos de 0,07%, 0,02% e 0,03%, respectivamente. No acumulado do ano, até o dia 5 de junho, essas carteiras apresentam rentabilidade nominal de 4,24%.Esse impacto maior nos fundos de previdência aconteceu porque estes fundos são os que têm carteiras com papéis de prazo mais longo. Isso significa que a duration - média dos prazos dos títulos ponderada pela quantidade de papéis - da carteira costuma ser maior. Ou seja, em troca de um risco maior, os papéis de prazo mais longo oferecem rentabilidade superior em relação aos de curto prazo.Essa estratégia de alocação de recursos do fundo está relacionada com o perfil do investimento. Como os fundos previdência referenciados DI são carteiras que têm por objetivo garantir a reserva de aposentadoria de seus cotistas, o que os caracteriza como aplicações de longo prazo, os gestores optam por papéis mais longos.Ao marcar esses títulos pelo valor de mercado e não mais pelo valor de face, houve uma desvalorização da cota. Veja: um gestor que aceitou receber por um título de prazo mais longo 105% da Selic, a taxa básica de juros da economia, significa que ele receberá a variação da taxa Selic mais um prêmio. Nesse exemplo, é de 5%. Em um mercado mais estável, esse título pagaria apenas a variação da Selic. Porém, devido ao risco que ele embute, o investidor pede um ganho a mais.Esse prêmio acima da Selic não é pago no vencimento do papel. Ele funciona como um desconto que incide sobre o valor do título na hora da compra do papel. Ou seja, nesse exemplo, se um título tem valor 100, ele é comprado por 95 e, durante o prazo do papel, ele vai apresentar um rendimento correspondente à variação da taxa Selic. Com a adoção da marcação a mercado, nesse exemplo, o gestor deve precificar o título a valor de mercado, tomando por base o quanto um outro investidor pagaria por esse mesmo papel. O fato é que, devido ao aumento das incertezas com a proximidade das eleições presidenciais, o risco dos títulos mais longos ficou maior. Ou seja, os investidores que aceitam comprar o papel exigem um desconto maior. Nesse exemplo, o gestor que pagou 95 pelo título teria que vendê-lo a 90, por exemplo, apurando uma perda de 5. Antes da marcação a mercado, essa variação negativa seria percebida apenas se o gestor precisasse vender os títulos. Porém, com a nova regra, o gestor terá que mostrar a desvalorização da cota, independentemente de movimentações, o que traz mais transparência para os produtos.Carteiras têm maiores chances de recuperaçãoPara as carteiras de previdência, as chances de recuperação são de fato melhores. Isso porque os gestores tendem a manter esses papéis em carteira, apesar da desvalorização momentânea dos títulos de prazo mais longo. "Isso acontece devido ao próprio perfil do investimento. A manutenção desses papéis em carteira permite que os títulos apresentem a valorização acertada na compra dos ativos, independentemente das oscilações ao longo do período", afirma a diretora técnica do Instituto Brasileiro de Certificação de Planejadores Financeiros (IBCPF), Márcia Dessen. "Perdeu de fato quem sacou os recursos quando a cota apresentou a oscilação negativa. Isso porque saiu da carteira com uma cota menor", completa o diretor de Vida e Previdência da Real Seguros, Flávio Perondi. Vale destacar que nessas carteiras a movimentação de recursos - tanto de entrada quanto de saída - foi praticamente nulo. No ano, a captação líquida dos fundos previdência referenciados DI é de R$ 1,23 milhão. Veja mais informações sobre a marcação a mercado nos fundos DI nos links abaixo.

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