Fundos de previdência privada crescem 25%

Queda na taxa de juro real e aumento do nível de emprego e de renda incentivaram depósitos em planos de previdência

CYNTHIA DECLOEDT, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2012 | 03h06

A carteira de investimentos administrada pela indústria de previdência privada deve crescer 25% este ano em relação a 2011, alcançando R$ 330 bilhões, disse ontem Osvaldo Nascimento, vice-presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi) e diretor executivo de Investimento e Previdência do Itaú Unibanco.

Até junho, essa carteira, representada pelos ativos captados somados a seus rendimentos e excluindo os saques, estava em R$ 302 bilhões. Nascimento aposta que a carteira de investimentos deverá alcançar R$ 1 trilhão em até cinco anos, lembrando que em 1992 estava em R$ 3 bilhões.

"A nova realidade brasileira, de taxa de juro real abaixo de 3%, está aumentando o ingresso de investidores que pensam no longo prazo e percebem que é possível maximizar seu patrimônio por meio da previdência complementar", afirmou Nascimento no VI Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada, realizado em São Paulo.

Ele citou a queda na taxa de desemprego e o consequente aumento na renda como fatores que têm impacto no crescimento das arrecadações da previdência. Boa parte do aumento na carteira atual e previsto está relacionada à elevação nos aportes mensais de planos já existentes.

Nos novos ingressos, o destaque são os chamados planos para menores, onde a arrecadação subiu 19,21% no primeiro semestre deste ano, para R$ 960 milhões. De acordo com o balanço semestral da FenaPrevi, os planos para menores apresentaram o segundo maior crescimento no primeiro semestre por categoria de plano contratado. A liderança ficou com os planos individuais, que tiveram expansão de 36,33% em comparação ao primeiro semestre período do ano passado, para R$ 28,6 bilhões.

Nascimento observou ainda que os benefícios fiscais associados aos planos de previdência VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livre) e PGBL (Plano Gerador de Benefícios Livre) representam uma enorme poupança; portanto, um adicional em relação a outros tipos de investimento de longo prazo.

Nos fundos de renda fixa ou multimercado a cobrança do Imposto de Renda é semestral. Já nos planos VGBL e PGBL o imposto só é pago no momento do resgate dos recursos, aumentando a proporção de recursos sobre os quais há rendimento.

Futuro. O ex-ministro da Previdência José Cechin, hoje consultor previdenciário, lembra que outra vantagem é que obriga o poupador a pensar no futuro e programar sua aposentadoria, pois quanto mais tempo o dinheiro permanece aplicado, menor é a tributação de IR. "Quem optar pela tributação regressiva, é vantagem sacar só depois de seis anos, porque nesse prazo o IR será de 25%, inferior aos 27,5% cobrados da pessoa física. Se ficar mais de dez anos, o imposto cai para 10%", explica.

A professora de finanças Angela Menezes, do Instituto Insper, pondera que previdência privada não é um produto financeiro como outros fundos de investimento. "É diferente. É um seguro para a velhice, por isso tem regras de proteção, diferentemente de um fundo normal."

Para Cechin, as pessoas hoje têm maior consciência e buscam proteção adicional na previdência aberta, sabendo que não terão renda elevada com a previdência oficial. "À nossa frente está um envelhecimento progressivo da população, Todos nós vamos ter vidas mais longas, o que significa que vamos precisar de renda durante mais tempo. Vidas mais longas vão exigir que se acumule um capital mais alto para o momento da aposentadoria ou então que se postergue o momento de começar a sacar os valores acumulados." / COLABOROU MARCELO REHDER

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