Werther Santana/Estadâo
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Carolina Bartunek: ESG, o que eu tenho a ver com isso?

Fundos de renda fixa de longo prazo e de ações de energia lideram ganhos

No ranking do semestre, melhor resultado entre fundos de ações foi de 22,98%; renda fixa teve retorno de 14,87%

Pedro Ladislau Leite, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2019 | 05h00

Fundos de investimento são um dos canais mais recomendados por especialistas para quem deseja fazer o dinheiro render. Deixando as negociações a cargo de gestores profissionais, os riscos são menores para quem não tem tempo nem conhecimento para navegar no mercado financeiro. Levantamento da consultoria Economatica mostrou quais fundos no varejo apresentaram a maior alta no primeiro semestre de 2019.

Entre os fundos de renda fixa, que buscam rendimentos com juros e índices de preços, a primeira posição ficou com o fundo de juros reais do Santander, que obteve retorno de 14,87% de janeiro a junho. Como a carteira é composta por títulos do governo atrelados à inflação, em especial de longo prazo, a crescente expectativa de queda dos juros impulsionou os resultados, diz o superintendente de investimento do Santander Asset Management, Cal Constantino. Quanto menores os juros, maior a valorização desses ativos. 

Mesmo fazendo parte da renda fixa, o gestor destaca a volatilidade de fundos com essa alocação. “O prazo médio de vencimento da carteira está em quase nove anos. A cada 0,10 ponto porcentual que diminui na curva de juros, o fundo se valoriza quase 1%. E o contrário se aplica também.”

O fundo de ações de melhor desempenho foi o da Brasil Capital, com rendimento de 18,92%, acima dos 14,88% do Ibovespa, principal índice de ações no País. A alocação em torno de 20% no setor de energia foi o combustível para o bom resultado. “São investimentos que estão na carteira há anos. O fundo tem um caráter de investir mais estruturalmente nas empresas, somos muito fundamentalistas, olhamos em detalhe cada empresa”, conta André Ribeiro, sócio e gestor da Brasil Capital.

Na categoria de multimercados se incluem fundos com diversas características, já que eles não são obrigados a concentrar investimentos em nenhuma classe em especial. No caso do líder em rentabilidade do segmento, a estratégia básica é seguir o índice de ações americano S&P 500. O gerente de produtos da Western, Mauricio Lima, explica que, além do resultado das empresas, a sinalização de que os juros nos Estados Unidos deverão cair ajudou a alcançar a valorização de 18,92% no período

Confira dicas dos gestores campeões:

Renda fixa - Cal Constantino, do Santander

  • “Não olhe apenas o retorno passado para tomar uma decisão de investimento. Veja sempre o que faz sentido olhando também para a frente, quais são as expectativas de retorno. Não caia na tentação de só olhar o retorno no semestre anterior e acreditar que vai continuar tão forte.”
  •  “Produtos de renda fixa com títulos de longo prazo têm volatilidade elevada. Sempre coloque o foco no médio ou longo prazo, afinal de contas, em determinados períodos eles podem ter performances inclusive negativas. Isso é importante para não assustar quem acha que nunca vai perder dinheiro.”
  •  “Nunca coloque todos os seus investimentos em um produto só, mesmo na renda fixa. Além dos mais conservadores, apenas com títulos do governo de prazo menor, você consegue apimentar a expectativa de retorno buscando produtos de crédito privado. E aí pesa mais o risco das empresas do que a volatilidade de mercado.”

Ações - André Ribeiro, da Brasil Capital

 

  •  “Alongue o prazo de investimento. Bolsa não necessariamente vai dar dinheiro daqui a um mês. Ela pode ficar o ano inteiro sem andar nada e subir 10% em dezembro. Já é o dobro do que a Selic vai render. Precisa de paciência.”
  •  “Se quiser estudar determinadas empresas, procure setores que sejam previsíveis, que sejam mais fáceis de projetar e entender, que sejam mais palpáveis. Estudar uma empresa de exploração de gás integrada a termoelétricas que atua em um setor regulado vai ser muito mais complicado.”
  •  “As ações vão se mover alinhadas ao movimento de lucro das empresas. Se o lucro está crescendo 30%, no médio e longo prazo, elas irão se valorizar 30%. Se achar que vai cair 30%, ela cai também. A correlação é muito clara.”

Multimercados - Mauricio Lima, da Western Asset

  • “Para aumentar o retorno do portfólio, você tem que aumentar risco necessariamente. Tem duas formas de fazer isso: ter mais do mesmo risco ou ter mais riscos diferentes, o que é mais eficiente. Busque entender se o investimento que está fazendo é diferente do restante da carteira. Não adianta ter mais do mesmo.”
  • “Entenda ao investir no exterior se o fundo traz ou não variação cambial. Faz sentido ter exposição cambial como forma de contrapeso aos ativos locais, em eventual piora da economia.”
  • “No exterior, a quantidade de instrumentos é significativamente maior do que aqui. Tenha atenção ao achar que, necessariamente, quem vai bem aqui vai conseguir o mesmo no exterior.”

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