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E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Fundos de renda fixa e títulos do Tesouro são opções para o longo prazo }

Quero reservar R$1 mil por mês para minha filha de seis anos para fins acadêmicos quando ela completar 18 anos. Qual aplicação é melhor? Como o seu objetivo está bem estabelecido, afinal você está planejando os gastos com a faculdade da sua filha no longo prazo - 12 anos -, há diversas opções interessantes. Uma primeira alternativa é um fundo de renda fixa, desde que consiga uma taxa de administração bem baixa, porque hoje os fundos de renda fixa com custos maiores acabam perdendo da Caderneta de Poupança, quando comparamos as rentabilidades líquidas das duas aplicações. Outras alternativas são títulos do Tesouro Direto que você pode ir comprando mês a mês e assim formando uma carteira. Uma boa opção são títulos como as NTN-B que oferecem uma taxa fixa mais a correção da inflação - hoje oferecendo para vencimento em 2024 a taxa fixa em torno de 5% ao ano mais correção monetária pelo IPCA.

FÁBIO GALLO É PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV, DA PUC-SP, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2012 | 03h06

Há ainda, como opção, planos de previdência privada como os PGBLs dedicados aos filhos que têm como vantagem o benefício fiscal de dedução do IR de até 12% da receita anual tributável. Neste último caso, você também deverá estar atento às taxas de administração e de carregamento cobradas pelas seguradoras. Apenas a título de estimativa, no caso desta aplicação mensal de R$1 mil conseguir obter uma taxa de 0,5% ao mês, em 12 anos, o valor acumulado deverá ser superior a R$200 mil, portanto, não somente a educação estará garantida com também um bom valor para sua filha iniciar a própria vida adulta.

Possuo um automóvel 2006 avaliado em R$ 15 mil e gostaria de trocá-lo por outro no valor de R$ 35 mil (zero km). A diferença pretendo financiar a uma taxa de 1,2% ao mês, entre 48 a 60 vezes. Pretendo pagar parcelas em torno de R$ 500. Entretanto, em setembro de 2013, vou me ausentar do País por um ano, e pretendo vender o carro antes de viajar, passando as parcelas restantes da dívida para o comprador. A alternativa seria permanecer com o carro velho, para o qual estimo um custo de manutenção de cerca de R$ 5 mil até a data da viagem. Gostaria de saber qual das duas opções seria a mais recomendada para reduzir a perda de capital e, no caso da compra do carro novo, quantas parcelas contratar.

A opção de assumir a dívida em 60 meses sabendo que não vai poder manter os pagamentos até o prazo final não me parece uma boa alternativa. Isso não é recomendado mesmo porque poderá não ser encontrado quem queira assumir essa dívida e você corre o risco de ter de continuar pagando o carro sem poder usá-lo, fora custos de manutenção. O fato é que você estará assumindo uma dor de cabeça. Caso você insista em comprar o carro zero, a alternativa é financiá-lo no máximo de tempo que você tem até viajar que é em torno de 17 meses. Mas neste caso as prestações estarão na faixa de R$1,5 mil mensais.

A melhor opção é manter o carro usado que deve representar um gasto de manutenção em torno de R$300 mensais. Inclusive, considere a possibilidade de colocar o seu carro a venda antes de chegar o momento da sua viagem, porque sempre que precisamos vender algo em um prazo mais curto corremos o risco de termos que vender por um preço abaixo do desejado. Por outro lado, quando temos mais folga, podemos aguardar até termos uma oferta melhor.

Estou com o meu nome no SPC. Devo negociar e parcelar ou juntar todo o dinheiro e pagar avista daqui a seis meses?

Você deve elaborar uma estratégia para sair de sua divida. Primeiro, vá até o credor e descubra exatamente qual o valor de sua dívida. Quando conseguir os valores consolidados de suas dívidas, leve-as a um especialista - uma dica é falar com o Procon ou órgãos similares na sua cidade. Verificados os valores das dívidas, proponha aos credores um acordo com diminuição da dívida. Neste ponto há duas alternativas: 1.ª) parcelar a dívida com o próprio credor e 2.ª) obter um empréstimo mais barato do que é cobrado na dívida atual, como por exemplo, conseguir um empréstimo consignado ou um crédito pessoal. Tendo renegociando as suas dívidas e sabendo as formas de parcelamento, coloque essas parcelas no seu orçamento familiar. Para isso, você deve preparar o orçamento familiar com detalhes e em termos líquidos. Em termos líquidos quer dizer que você deve anotar o que realmente ganha e gasta em termos reais. Por exemplo, não anote que você ganha mais ou menos R$700, mas sim exatamente quanto que entra no seu bolso.

Uma dica fácil de praticar é organizar os seus gastos devem ser separados na estrutura A, B, C e D.

A de Alimentar para gastos com alimentos que a família tem - com toda a economia possível. B de Básico para gastos de água, luz, terreno, etc. C de Contornável para aquilo que faz a vida melhor, mas numa emergência você deve cortar. E, finalmente, D de Desnecessário para itens que você deve buscar em suas contas para cortar imediatamente. Bom, com isso, mantenha a tranquilidade porque quanto mais sereno você e familiares estiverem mais facilmente vão achar novas soluções para os problemas.

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