Fundos devem se unir para fazer proposta por Portugal Telecom

Apax Partners, Bain Capital e CVC estariam estudando uma oferta conjunta pelos ativos portugueses da Portugal Telecom

MARIANA SALLOWICZ, MÔNICA SCARAMUZZO, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2014 | 02h03

As ações da Portugal Telecom (PT) fecharam ontem em alta de 3,17%, a 1,23, após notícias de que os fundos de investimentos Apax Partners, Bain Capital e CVC poderão se unir para fazer uma proposta conjunta pelos ativos portugueses da PT. Até a semana passada, esses fundos estudavam fazer ofertas separadamente, segundo fontes a par do assunto. Ontem, a agência 'Bloomberg' informou que os três deverão se aliar para fazer frente à proposta da operadora francesa Altice, que avaliou a companhia em 7,025 bilhões.

A Apax Partners já estaria examinando em detalhes os números da PT para igualar a oferta da Altice, anunciada no domingo. A Apax estaria convicta de que o governo português vê com bons olhos a entrada dos fundos no negócio, ainda de acordo com a Bloomberg. Os fundos e o BTG não se pronunciaram sobre o assunto.

A Altice SA, holding que opera no setor de cabo e tem sede em Luxemburgo, informou que financiaria a proposta com dinheiro e dívidas. O preço inclui duas parcelas de 400 milhões que dependerão de receita futura e de fluxo de caixa. Os fundos avaliam captar recursos para ajudar a financiar a transação.

Até o momento, o BTG não recebeu oficialmente oferta desses fundos, apurou o Estado. O banco aguardará os próximos dias para receber novas propostas e levará a empresa quem fizer a melhor proposta, segundo fontes. Há rumores de que a operadora portuguesa Nos, que pertence à holding Zopt, que tem como acionistas o grupo Sonae e Isabel dos Santos, filha do presidente de Angola, estaria olhando os ativos da PT, segundo o Jornal de Negócios, de Portugal.

Concluída a venda da PT, o BTG, contratado pela Oi como comissário mercantil, poderá formalizar proposta pelo fatiamento da TIM, em parceria com a América Móvil (Claro) e Telefônica (Vivo). A venda dos ativos da PT em Portugal e de outros, como a fatia de 25% da Unitel na África, além de cabos submarinos, ajuda a reduzir o endividamento da operadora e facilita a captação de recursos para comprar parte da TIM.

Resistência. A oferta da Altice já encontra resistência do Sindicato dos Trabalhadores do Grupo Portugal Telecom (STPT). A entidade pediu intervenção do governo português para impedir a venda da PT Portugal SGPS, subsidiária da Oi que reúne ativos no país. O sindicato alega que a Altice comprou, em 2012, a Cabovisão, em Portugal, "por um décimo do valor de compra seis anos antes" e "demitiu 30% do total de trabalhadores da empresa".

O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, disse na terça-feira que o governo não intervirá na disputa pela PT. Segundo ele, "há diversas empresas que manifestaram o interesse em comprar a PT. "A todas o governo disse: o Estado não interferirá e espera que este processo seja tão transparente e competitivo quanto possível."

Em meio às negociações, os principais acionistas da Unitel voltaram a acusar a PT de não respeitar o acordo assinado entre os sócios angolanos e portugueses em 2000 e admitem usar "todas as opções legais" contra a empresa. Eles consideram que a incorporação da PT na empresa resultante da fusão com a Oi vai alterar, indiretamente, a estrutura acionária da Unitel.

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