Fundos DI e Renda Fixa com taxa de 2% ou mais vão perder da poupança

Redução da Selic para 9,25% vai apressar a redução de taxas de administração e lançamento de novos fundos

Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

11 de junho de 2009 | 00h00

Fundos de investimento tradicionais (DI e Renda Fixa), com taxa de administração igual ou maior que 2% sobre o patrimônio, perdem competitividade para a caderneta de poupança com os juros básicos recuando para 9,25% ao ano, calcula o professor da Faculdade de Informática de Administração Paulista (Fiap), Marcos Crivelaro. A queda dos juros deve apressar o movimento de corte das taxas de administração e o lançamento de novos fundos com papéis de empresas de capital aberto, conhecidos como "multimercado", prevê o professor.Grandes bancos de varejo já começaram a reduzir as quantias mínimas exigidas nas aplicações em fundos de investimento para atrair um número maior de investidores e tornar o produto mais competitivo em relação à poupança. Com a queda na taxa Selic, que baliza o rendimento dos fundos, a caderneta de poupança, que hoje é isenta de Imposto de Renda, tem a sua rentabilidade ampliada.Antes mesmo de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central ter reduzido em 1 ponto porcentual a Selic, para 9,25% ao ano, no começo desta semana o Bradesco já cortou o valor mínimo de aplicação inicial de mais de 30 fundos de investimentos. A redução no valor mínimo das aplicações incluiu fundos DI, Renda Fixa, Ações e de Multimercado. A redução no valor da aplicação inicial é significativa e chega, em alguns casos, a 90% do valor da aplicação mínima, de R$ 5 mil para R$ 500, por exemplo. O HSBC é outra instituição financeira que decidiu reduzir o valor mínimo inicial das aplicações em fundos de investimento. Desde o início do ano, 12 fundos do HSBC tiveram o valor mínimo de aplicação cortado. Em ambos os bancos, a taxa de administração cobrada do investidor foi mantida nominalmente. Além da Selic menor, a taxa de administração é outro fator que afeta negativamente a rentabilidade dos fundos.Segundo o diretor da área de investimentos do Bradesco, Marcos Villanova, quando o valor mínimo da aplicação inicial diminui, na prática, a taxa de administração cai também e torna o produto mais rentável em relação a outras aplicações, como a poupança. Como há muitos entraves burocráticos para reduzir as taxas de administração de fundos já constituídos, como, por exemplo, a necessidade de assembleias, os gestores dos fundos optaram por reduzir o valor da aplicação inicial para obter o mesmo efeito de um corte nas taxas de administração. Já os novos fundos estão sendo formados com taxas de administração menores exatamente para serem competitivos em relação à poupança, diz.Valéria Fontes, gerente de produto do HSBC Global Asset Management, explica que, diante da crise, o banco decidiu reduzir o valor inicial das aplicações em fundos porque detectou que os investidores com menor volume de recursos buscariam aplicações mais conservadoras. "De fato, desde janeiro tivemos um aumento expressivo das captações nos fundos nos quais os valores iniciais de aplicação foram reduzidos."Na opinião do diretor da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), Luiz Fernando Figueiredo, os fundos estão procurando manter a competitividade em relação à poupança, reduzindo o valor mínimo da aplicação inicial. Diante de uma taxa de administração e de uma Selic menor, a rentabilidade das instituições financeiras deve cair. "Isso faz parte do processo de normalização da economia", diz o diretor da Anbid, destacando que pela primeira vez se tem uma taxa básica de juros de um dígito.Na avaliação do coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, William Eid Jr., os bancos estão se mexendo para buscar alternativas que impeçam a migração dos recursos dos fundos de investimentos, com o recuo da taxa básica de juros para 9,25% ao ano. "Com a redução das taxas de juros, os bancos vão perder uma parte da receita." FRASESValéria FontesGerente de Produto do HSBC Global"De fato, desde janeiro tivemos um aumento expressivo das captações nos fundos nos quais os valores iniciais de aplicação foram reduzidos"Luiz Fernando FigueiredoDiretor da Anbid"Isso faz parte do processo de normalização da economia"

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