Fundos DI perdem R$ 2,7 bilhões em julho

Com a queda da taxa básica de juros - Selic -, os fundos DI, ou pós-fixados, estão deixando de atrair os investidores. O resultado pode ser verificado pelo balanço da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), referente à movimentação de recursos na indústria de fundos no mês de julho. O volume de investimentos que deixou os fundos de renda fixa pós-fixados foi o maior do ano: R$ 2,7 bilhões. No mesmo período, os fundos de ações tiveram uma captação de R$ 400 milhões. Os fundos derivativos atraíram R$ 120 milhões e os exclusivos, R$ 760 milhões. Outro segmento a registrar perdas foi o de fundos de renda fixa prefixados, porém em volume bem menor que os DI. A saída de recursos foi de R$ 27 milhões.Nos três primeiros dias de agosto, esta tendência vem se mantendo. Os fundos DI continuam liderando a saída de recursos. O total de saída registrado foi de R$ 473 milhões. Os fundos de renda fixa prefixados já perderam mais investimentos na comparação com todo o mês de julho. Até o dia 3 de agosto, a saída de recursos foi de R$ 363 milhões. PerspectivasAlexandre Malfitani, administrador de fundos de renda variável do Deutsche Bank Investimentos, acredita que os baixos rendimentos dos fundos de renda fixa, aliados à tendência de juros baixos, estimulam o consumo. Na avaliação do diretor, em função disso, o dinheiro que está saindo dos fundos pode estar sendo direcionado para as compras. "O aplicador ainda não tem a cultura do investimento em ações. Diante do baixo rendimento dos fundos de renda fixa, ele pode estar mais atraído pelo consumo do que por uma diversificação do investimento", afirma.Na opinião dos analistas, os recursos do segmento de fundos devem migrar de forma gradativa para o mercado acionário. Alexandre Póvoa, diretor de renda variável do ABN Amro Bank, afirma que a captação de recursos no mercado acionário ainda está muito baixa, pois o investidor brasileiro não tem o hábito de aplicar nesse segmento e isso demora algum tempo para que aconteça. "Atualmente apenas 8% dos investimentos são direcionados para ações", explica.

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