Fundos DI: prazo para adoção de novas regras

Investidores que têm recursos alocados em fundos referenciados DI (pós-fixados) terão de se adaptar à uma nova realidade: a possibilidade de uma variação diária negativa nas cotas das carteiras e oscilações mais fortes nas cotas dos fundos. Trata-se de uma conseqüência decorrente da nova determinação do Banco Central (BC) instituída pela circular 3086, a qual estabelece que os papéis que compõem a carteira do fundo sejam precificados diariamente pelo valor de mercado. É a chamada marcação a mercado. Os gestores dos fundos têm até o dia 30 de setembro para atualizar as suas cotas pelo valor de mercado dos papéis.Na verdade, os gestores dos fundos já eram instruídos pelo Banco Central, desde 1995, a fazer esta precificação pelo valor de mercado dos títulos, mas usavam o valor de face - preço de compra dos papéis. A justificativa das instituições para o uso deste valor no cálculo das cotas era a ausência de regras mais claras para a precificação de alguns papéis que compõem a carteira do fundo, os quais não apresentavam liquidez para esta atualização. De fato, muitos papéis que compõem as carteiras dos fundos DI não contam com um mercado secundário forte em que o gestor possa verificar o valor de tais títulos diariamente. É o caso das debêntures de empresas privadas que, segundo as regras do BC, podem compor parte da carteira de um fundo referenciado DI. "Em circulares anteriores do BC, não havia uma regra clara sobre como proceder nestes casos. Já a legislação mais recente do BC, estabelecida pela circular 3086 de fevereiro deste ano, apesar de não estabelecer uma metodologia para conversão, fornece caminhos para que o gestor chegue a um valor dos papéis mais coerente para a atualização diária das cotas", afirma o diretor de renda fixa do Citigroup Asset Management, Paulo Caricatti.Segundo a circular, a precificação dos títulos da carteira deve ser feita pela média dos negócios realizados no dia. Caso um papel não tenha sido negociado e, portanto, o gestor não tenha como verificar a média, deve-se usar o valor médio do dia útil anterior. Se novamente não for possível apurar este valor pela falta de liquidez dos títulos, o gestor deve estipular um valor provável tomando como base papéis com características semelhantes.De qualquer forma, segundo Caricatti, este é um problema apenas da parcela dos títulos que têm baixa liquidez, como as debêntures. No Citigroup, os fundos DI são formados em sua maior parte por títulos públicos federais com juros pós-fixados. "Para esta parcela de títulos, a marcação a mercado não é um problema e, mesmo para estes papéis, o valor usado por muitos gestores era o valor de face."Prazos e FundosO prazo estabelecido para a adoção das novas regras para marcação das cotas dos fundos, em 30 de setembro, não significa que a variação negativa acontecerá apenas até esta data. Trata-se somente de um período dado pelo BC para que as instituições adotem a marcação a mercado, a qual passa a ser regra para os fundos a partir daí. "Agora estamos em fase de transição para uma nova realidade, o que justifica uma reação mais assustada por parte do investidor. Mas isso será comum no futuro e os investidores estarão mais habituados a isso", afirma um importante gestor de recursos.Alguns fundos já estão comunicando seus clientes sobre as novas regras e vêm reajustando gradativamente o valor das cotas de suas carteiras. No Citi, esta já era a prática dos gestores. No ABN Amro Asset Management, Dresdner Asset Management e Unibanco asset Management este é um procedimento adotado há poucos dias, mas já foi percebido em uma variação negativa das cotas dos fundos DI.Veja mais informações sobre os motivos para uma variação negativa nas cotas dos fundos DI e as vantagens desta nova realidade para o investidor nos links abaixo.

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