Fundos DI: regra traz vantagem para investidor

A marcação das cotas de um fundo referenciado DI (pós-fixado) a mercado e não mais pelo valor de face (compra) dos títulos poderá provocar a variação diária negativa nas cotas das carteiras. Apesar de provocar uma reação negativa por parte dos investidores, já que esta é uma realidade que não acontecia anteriormente, a nova regra não é prejudicial aos cotistas. "Ao contrário. Com a marcação a mercado, os lucros e perdas dos fundos serão distribuídos a quem de direito", afirma a diretora técnica do Instituto Brasileiro de Certificação de Planejadores Financeiros (IBCPF), Márcia Dessen.Com a atualização das cotas pelo valor de face, o principal problema é que a entrada e saída de recursos não era contabilizada pelo preço real dos papéis que compõem a carteira de um fundo. O rendimento dos títulos que compõem os fundos DI incorporam a oscilação da Selic, a taxa básica de juros da economia. E, como estes papéis são negociados com um desconto que varia de acordo com as condições do mercado - tanto na hora da compra quanto na hora da venda do papel - a cota do fundo pode ficar menor (veja os motivos para a variação negativa das cotas de um fundo DI no link abaixo).Um exemplo: um fundo com apenas dois investidores (A e B), sendo que cada um possui cinco cotas, de R$ 1 mil cada uma. Considerando o momento da aplicação, o patrimônio do fundo é de R$ 10 mil. Supondo que alguns dias após a aplicação, o patrimônio do fundo continue em R$ 10 mil, segundo a marcação das cotas pelo valor de face. Isso significa que o valor da cota também permaneceria em R$ 1 mil. Em uma hipótese, se este gestor usasse a marcação a mercado, o patrimônio do fundo seria de R$ 8 mil, o que provocaria uma queda no valor da cota para R$ 800. Neste momento, se o investidor A solicitar o resgate total e o gestor tiver atualizado as cotas pelo valor de face, o total sacado será de R$ 5 mil. O fato é que, para pagar o resgate ao investidor A, neste exemplo, o gestor teve que vender títulos, os quais foram negociados segundo as condições do mercado. Se nesta operação, for apurado algum prejuízo, isso será repassado apenas para o investidor B que ficou na carteira. Para se ter uma idéia, caso o investidor B solicite resgate no dia seguinte ao do investidor A, o valor sacado será de apenas R$ 3 mil - patrimônio de R$ 8 mil (valor atualizado pela marcação a mercado) menos o resgate de R$ 5 mil do investidor A. Ou seja, o investidor B assumiu sozinho a variação negativa da cota."Esta regra se faz especialmente importante neste momento, dado que o volume de saques está acima do que a indústria de fundos vinha apresentando nos primeiros meses do ano. Assim, o investidor que optar por deixar seus recursos na carteira não vai assumir o prejuízo de outros cotistas que realizaram saques anteriormente", explica Márcia Dessen. Em abril, segundo dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), os fundos de investimento registraram saques de R$ 5,077 bilhões, sendo que, deste total, R$ 1,828 bilhão saiu das carteiras DI. Em março, o volume sacado, levando-se em conta todas as carteiras, foi de R$ 1,45 bilhão.Para um importante gestor de recursos, este é um processo muito "saudável" para toda a indústria de fundos, pois, além de tornar a gestão das carteiras mais transparente, especificamente neste caso vai evitar a transferência de riquezas e prejuízos de um investidor para outro.Já o diretor de renda fixa do Citigroup Asset Management, Paulo Caricatti, aponta outro benefício da nova regra: a cobrança da taxa de administração sobre um patrimônio "real". Segundo ele, com uma cota marcada pelo valor de face dos papéis, o investidor corre o risco de pagar uma taxa de administração sobre um valor de recursos maior do que, de fato, a carteira possui. Veja mais informações sobre o assunto nos links abaixo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.