Fundos DI superam prefixados em rentabilidade

A inesperada alta da taxa básica de juros Selic, em 0,5 ponto porcentual, que passou de 15,25% para 15,75% ao ano, prejudicou ainda mais o rendimento dos fundos de renda fixa prefixados em março. Desde o começo do mês, os juros no mercado futuro já vinham subindo, sinalizando que os fundos prefixados poderiam perder em relação aos pós-fixados (DI), que estão com melhor desempenho.De acordo com dados da Associação Nacional de Bancos de Investimento (Anbid), até o dia 21 de março, dia da divulgação da alta da Selic, os fundos prefixados acumulavam um ganho nominal de 0,65%, enquanto os pós-fixados estavam com uma valorização de 0,76%. Ou seja: mesmo antes da nova Selic os prefixados já vinham perdendo. Depois do anúncio, os juros subiram ainda mais. No futuro de um ano, as taxas que estavam em 18,05% ao ano subiram para 21,05% ao ano na sexta. Alguns fundos prefixados já estão registrando resultados negativos na quinta e sexta, por conta desta alta dos juros, embora a Anbid ainda não tenha as médias do mercado. Quando os juros sobem, os papéis pós-fixados acompanham a alta. Porém, os prefixados emitidos com taxas menores são "desvalorizados", podendo ter rendimento até negativo, problema que se agrava quanto mais longo for o papel. Isso acontece por conta do método de cálculo do valor das quotas. Por isso investimentos em fundos pós-fixados são mais seguros em qualquer período, especialmente os de maior turbulência. E os prefixados têm risco: pagam mais se os juros caírem, e menos, se subirem.Veja na Cartilha de Fundos de Investimento a explicação completa de como as carteiras prefixadas podem causar prejuízo.Momento é de cautelaLogo após a alta dos juros, os fundos de renda fixa prefixados imediatamente já foram ajustados para o novo patamar das taxas de mercado. Ou seja, quem entrar agora não corre o risco de amargar as perdas de quem já estava no investimento. Aliás, o investimento em fundos desse segmento poderia ser vantajoso agora, já que o governo não abandonou a idéia de voltar a reduzir a taxa Selic. Assim, os títulos que compõem as carteiras desses fundos, negociados a taxas mais elevadas, ganhariam valor, caso os juros voltassem a cair.Porém, a falta de uma idéia mais clara de quando as taxas voltarão a recuar faz com que os analistas sejam mais conservadores em suas orientações. "É preciso um cenário mais claro para fazer qualquer aposta", afirma Edson Castro, diretor de renda fixa do ABN Amro Asset Management. Também para Norival Wedekin, administrador de renda fixa do Deutsche Bank, é muito arriscado apostar em fundos prefixados agora. "O cenário está muito incerto para se prever que os juros vão cair. O ideal é adotar uma postura mais conservadora e direcionar os recursos para um fundo pós-fixado", analisa. Os analistas temem novas altas de juros, que novamente prejudicariam os investidores dos fundos de renda fixa prefixados.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.