Fundos DI voltam ao radar de investidores

Para gestores de recursos, insegurança em relação a outros investimentos aumentará aposta nesses fundos no segundo semestre

GABRIELA FORLIN, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2013 | 02h07

O segundo semestre continuará desafiando os gestores de recursos, segundo o diretor de renda fixa e multimercados da Bradesco Asset Management (Bram), Reinaldo Le Grazie.

"O principal desafio será conviver com os Estados Unidos crescendo mais, e também com a Europa se recuperando. Há uma mudança na relação de forças, e os gestores brasileiros terão de se posicionar para ver como os ativos vão se comportar. No geral, veremos o dólar ainda mais forte e taxas de juros mais altas em todo mundo", afirma.

No Brasil, as expectativas do mercado giram em torno dos fundos de renda fixa e referenciados DI, que devem ficar mais atrativos ao longo do semestre, acompanhando o ciclo de alta da Selic. No entanto, Le Grazie não acredita que haverá uma migração expressiva para esses produtos, mas uma alocação um pouco maior por conta do receio de aplicar em outros ativos. "Mesmo que a Selic chegue a 9,5%, ainda é uma taxa baixa. Não acho que vá haver uma grande mudança nos portfólios gerais, mas os fundos DI vão crescer pela insegurança e incerteza em relação a outros investimentos."

Dentre os fatores que afugentarão os investidores dos produtos mais arriscados, ele cita o fortalecimento do dólar, o aumento da taxa de juros americana e a política monetária mais restritiva em todo mundo, inclusive no Brasil. "Isso não é um cenário positivo para as bolsas, principalmente no curto prazo."

O diretor-superintendente da Bram, Joaquim Levy, diz que é natural que os investidores tenham uma parcela de recursos em fundos DI, e é provável que alguns aproveitem o ciclo de alta dos juros para cristalizar ganhos no curto prazo. "O DI não vai acabar, nem vai voltar a ser completamente dominante. Mas, nos próximos meses, com a inflação mais baixa e a taxa mais favorável, para alguns perfis de investidores, os DI funcionarão como uma boa estratégia", diz.

Sobre as perdas que muitos fundos da indústria atrelados a títulos prefixados amargaram em maio e junho, por conta do forte aumento das taxas, Levy afirma que a recuperação ocorrerá em breve. "Toda vez que a curva de juros sobe, há uma perda de valor do título, o desconto aumenta, e isso faz parte da dinâmica dos mercados. Nos Estados Unidos, por exemplo, muitos fundos também perderam dinheiro recentemente. A diferença é que aqui, como o papel vale 6%, 7%, mesmo que você perca alguma coisa, daqui a pouco recupera, porque o yield é melhor", compara.

Multimercados. Para tentar ultrapassar os obstáculos macroeconômicos nacionais, os dois executivos veem os fundos multimercados como bons instrumentos, já que permitem diversificar a alocação de recursos em ativos brasileiros e internacionais. "Os nossos multimercados que investiram em dívidas e tesouro americano, por exemplo, vieram com retornos bem acima do CDI no primeiro semestre", observa Levy.

Ele reconhece que a volatilidade está alta em todo o mundo, mas diz que há boas oportunidades no mercado de moedas e mesmo no de ações, que continuará exigindo um intenso trabalho de garimpagem de ações, o chamado "stock picking".

As sinalizações do Federal Reserve e de outros bancos centrais estão criando instabilidades no cenário, mas os mercados, em geral, têm perspectivas interessantes. "Em momentos de estresse, é importante saber que companhias são mais resilientes, e há muitas indo bem. Além do olhar setorial, é imprescindível olhar cada empresa."

No quesito moedas, Le Grazie destaca que uma boa aposta é o dólar mais forte. Com isso, fundos multimercados que investem nesses ativos e fundos cambiais (que foram os mais rentáveis da indústria no primeiro semestre) serão boas opções. Investimentos em euro, libra esterlina e iene não são aconselhados, já que a tendência é que essas moedas se desvalorizem nos próximos meses.

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