Fundos fazem dinheiro para um 'clube fechado'

Quem são os gestores que buscam apostas criativas para fugir do mau desempenho do mercado brasileiro

Jesette Goulart, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2014 | 02h03

Em um ano em que a bolsa brasileira caiu mais de 15%, fundos de renda fixa ficaram no campo negativo e famosos fundos globais erraram nas apostas com juros americanos e perderam dinheiro, alguns gestores brasileiros mantiveram a mão firme no leme e conduziram um seleto grupo de investidores a ganhos superiores a 15% no ano.

Hipotecas nos Estados Unidos, juros gregos, dólar australiano, bônus de províncias espanholas, derivativos, real, euro, juros, crédito a médias empresas... Valeu de tudo para manter o barco na direção entre os chamados hedge funds, que investem em todo tipo de mercado.

Da extensa lista de fundos multimercados brasileiros, seis se destacaram nos últimos três anos e não perderam a direção em 2013, apesar do mercado conturbado e da extensa lista de possibilidades de aplicações mundo afora (ver tabela acima). Todos os seis podem atrair os olhares de cobiça de interessados. Porém, mesmo exigindo um capital mínimo elevado, de R$ 1 milhão, estão fechados para novos investidores.

Para os gestores, esses fundos se tornaram uma vitrine - por isso, para eles, evitar qualquer tipo de erro é crucial. E quem tem acertado há mais de uma década é Luís Stuhlberger com seu fundo Verde, da Credit Suisse Hedging-Griffo (CSHG), que rendeu quase 18% no ano passado.

"Você tem de processar milhões de informações, ficar fora da maioria delas, selecionar algumas que você acha que fazem a diferença e executar umas poucas em que você tem muita convicção", diz Stuhlberger, resumindo sua vida de acertos.

Para esses fundos, que se vendem por sua performance, um erro que afete um ano de rentabilidade é como uma nota vermelha na escola. O resto do boletim pode estar todo pintado de azul, que não vai importar.

Perdas. O Pimco, um dos maiores e mais famosos do mundo, com décadas de sucesso nas costas, viveu essa situação em 2013. Julgou mal o tempo e o impacto do fim dos estímulos americanos do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) e perdeu dinheiro com bônus atrelados à inflação e com o Brasil. Mais de US$ 40 bilhões deixaram seus fundos por causa desses erros e os gestores agora precisam provar que ainda são capazes de dar bons retornos.

O Pimco andou na contramão. Errou na avaliação do real, por exemplo, área da qual o fundo Arx FI, soube tirar proveito em movimentos pontuais. Em agosto, quando o dólar disparou e chegou a R$ 2,45, a gestora do Arx, Mariana Dreux, entendeu que havia exagero e fez movimentos na direção contrária. Em dois meses, o fundo estourou de rentabilidade porque de fato o dólar foi caindo e chegou a R$ 2,15.

Além de ganhar no mercado local, os brasileiros também souberam atuar no exterior. Foi o caso do Gemm, fundo global do BTG Pactual. Seu fundo no Brasil, que compra as cotas do Gemm, rendeu 14,71% em 2013 e chega a superar o desempenho do Verde, em três anos. João Scandiuzzi, do BTG, diz que, desde que o Fed começou a ensaiar a redução dos estímulos, em maio, o fundo se protegeu. Cada gestor do BTG no mundo tem um nível de risco a seguir e pode fazer apostas livremente até essa linha. Mas hoje ninguém está perto dela.

Ainda no encalço do Verde está o SPX Raptor, de ex-gestores do BBM. O Raptor rendeu 26%. Seus gestores preferem o silêncio, mas a análise da rentabilidade mensal mostra estratégia agressiva. Perde e ganha como uma montanha-russa. Há quem não busque tanta emoção, caso do Polo FI, que usa uma só estratégia: empréstimos para empresas. Em oito anos, as metas foram sempre superadas, mas um crédito mal avaliado pode afetar seu desempenho.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.