Fundos imobiliários ensaiam recuperação

Especialistas apostam que valor movimentado este ano pode se aproximar da marca de 2012, apesar do ritmo lento do primeiro semestre

GABRIELA FORLIN , O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2013 | 02h09

Apesar do ritmo mais lento neste ano, as ofertas de Fundos de Investimentos Imobiliários (FIIs) ainda podem atingir o nível de 2012, segundo especialistas ouvidos pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Até o momento, 20 ofertas registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) movimentaram R$ 6,1 bilhões. No ano passado, 48 ofertas atingiram R$ 14 bilhões.

"Se somarmos o número de ofertas em análise na CVM no momento, considerando que tenham sucesso, o valor movimentado seria muito próximo da marca do ano passado", diz o gerente de produtos imobiliários da BM&FBovespa, Paulo Cirulli.

Atualmente, 16 ofertas (15 primárias e uma secundária) estão previstas para este ano, no valor de R$ 3,1 bilhões. Outras quatro, que somam R$ 532,2 milhões, foram interrompidas. A maior operação prevista é a do Fundo de Investimento Imobiliário Votorantim Securities III, no valor de R$ 1,15 bilhão.

"Algumas pessoas dizem que o mercado arrefeceu, mas o montante que está para vir ainda é expressivo. Eu não vejo essa falta de atratividade. Dependendo do esforço, eu não vejo dificuldade dos fundos em captar o que pretendem. O potencial de captação é ainda muito grande", completa Cirulli.

Mesmo com menor quantidade de ofertas neste ano até julho, a demanda continua aquecida. No primeiro semestre, esses produtos já haviam movimentado em Bolsa R$ 4,89 bilhões, em 452 mil negócios. O montante é maior que os R$ 3,59 bilhões movimentados em 2012, em 316.023 operações.

Reinaldo de Lacerda, presidente do Comitê de Produtos Imobiliários da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), concorda que estes produtos ainda têm de avançar bastante, já que representam cerca de 2% do setor de fundos. O patrimônio dos FIIs está na casa dos R$ 50 bilhões, sendo R$ 30 bilhões correspondentes aos fundos constituídos de cotas negociadas na BM&FBovespa.

O executivo também explica que esse ritmo mais lento de ofertas se deve ao funcionamento do setor como um todo. Na média, a quantidade de lançamentos que as incorporadoras imobiliárias estão fazendo em 2013 é um pouco menor que a do ano passado, segundo ele. É um ajuste de mercado para estabilizar a velocidade de vendas, estoque, entre outros itens. "Nossa visão é de que a indústria de fundos acompanhe um pouco este movimento."

Ainda assim, ele ressalta que os números da indústria de FIIs podem diminuir um pouco no curto prazo, mas não vão estabilizar: "Há vários negócios que ainda não estão em análise na CVM, mas vão entrar em curto espaço de tempo."

O fato é que 2013 é um ano de ajustes, reforça Cláudia Martinez, diretora do Banco Máxima. "O mercado imobiliário como um todo não está tão demandado quanto no ano passado, mas continua a ser um porto seguro para os investidores." Operacionalmente, diz ela, "os negócios vão bem, apesar do cenário macroeconômico recessivo. Há mercado e demanda."Segundo ela, pode ser que haja até mais 20 ofertas até o fim do ano. Em relatório, a XP Investimentos diz que percebe que o momento mais calmo do mercado traz à tona novas ofertas, após alguns meses menos movimentados.

Desempenho. Após meses de volatilidade entre abril e junho, a desvalorização mais significativa das cotas dos FIIs assustou alguns investidores, em especial os mais despreparados para esse mercado. "Apesar de a dinâmica se assemelhar à renda fixa, esses fundos não podem ser tratados como tal", destaca Cirulli.

No primeiro semestre, o IFIX, índice de fundos imobiliários, teve queda de 8,6%. Apenas em junho, a perda foi de 7,2%. Já no acumulado de 12 meses, até junho, a variação foi positiva em 0,7%.

A XP Investimentos afirma que o mercado de FIIs "parece voltar a navegar em mares mais tranquilos". "Julho se mostrou um mês mais estável e de menores emoções, mesmo com a nova alta da Selic", diz a corretora. O IFIX, que na metade do mês parecia voltar a se encaminhar para uma queda expressiva, conseguiu se recuperar, terminando praticamente no zero a zero, destaca a XP.

Para a XP, a reunião do Copom marcada para o fim de agosto não deve trazer grandes surpresas. Assim como a maior parte do mercado, a casa espera nova alta de juros.

De acordo com o balanço de operações de julho da BM&FBovespa, o volume financeiro movimentado pelos FIIs foi de R$ 516,33 milhões, em 63.812 negócios. Em junho, o volume financeiro foi de R$ 826,42 milhões, em 69.168 negócios.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.