Fundos oferecem US$ 2,2 bi por Reebok

Investidores estariam interessados na marca que pertence à Adidas, diz jornal

O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2014 | 02h05

Comprada pela Adidas em 2006 por 3 bilhões, a marca Reebok pode, de novo, mudar de mãos. O Wall Street Journal informou no domingo que um grupo de investidores que inclui o fundo Jynwel Capital, sediado em Hong Kong, e fundos ligados ao governo de Abu Dhabi farão uma proposta para comprar a Reebok por US$ 2,2 bilhões.

A notícia surge em um momento em que a Adidas enfrenta a pressão crescente de investidores ativistas, insatisfeitos com o fraco desempenho das marcas do grupo - além da Reebok, há a Rockport e a TaylorMade Golf. Recentemente, a companhia alemã ainda perdeu o segundo posto no ranking dos maiores vendedores de artigos esportivos nos Estados Unidos para a Under Armour. No primeiro lugar está a Nike.

E foi justamente para fazer frente à Nike que a Adidas comprou a Reebok. Mas, daquele tempo para cá, as vendas da Reebok se reduziram em mais de um terço. Em 2013, a unidade vendeu 1,6 bilhão, 11% dos ganhos do grupo.

Com a possibilidade da venda da Reebok, as ações da Adidas, que acumulavam queda de 40% este ano (em meio a alertas de redução da projeção de lucro), fecharam ontem em alta de 3,6% e chegaram a atingiram 8% no decorrer do pregão. No início deste mês, a companhia alemã anunciou planos de repartir 1,5 bilhão entre seus acionistas durante os próximos três anos. O comunicado foi encarado como uma tentativa de acalmar os investidores.

No mês passado, a alemã Manager Magazin disse que fundos como Knight Vinke, Third Point e TCI estavam estudando a compra de ações da Adidas para pressionar a direção a fazer mudanças radicais, como se desfazer da Reebok.

Mercado. A compra da Reebok, inicialmente, fez as vendas da Adidas nos EUA duplicarem. Ao mesmo tempo, a companhia alemã ganhava também mais exposição no maior mercado esportivo, já que herdava contratos que a Reebok tinha com algumas associações esportivas.

O problema foi que a marca acabou perdendo importantes parcerias. O contrato de dez anos que a marca tinha com a National Footbal League (NFL), para fornecer os uniformes, acabou em 2011, por exemplo. A Nike, então, ocupou o lugar da Reebok, justamente num momento em que a popularidade do futebol nos EUA crescia. Uma estimativa do Citigroup sugeria que quase dois terços da receita da Reebok nos Estados Unidos vinham de produtos licenciados pela NFL.

Outra perda foi no basquete. Mas essa, como lembra a Bloomberg BusinessWeek, não foi exatamente culpa da Reebok. Isso porque, em 2001, cinco anos antes de ser comprada pela Adidas, a Reebok negociou um contrato de dez anos com a Associação de Basquete dos EUA (NBA). Mas, quando a Adidas assumiu a Reebok, ela mesma tirou a Reebok do caminho e assinou o seu próprio contrato, de 11 anos, por US$ 400 milhões. "O basquete profissional pensou que as listras das Adidas pudessem levar o jogo de uma forma melhor para a Europa e para a Ásia, e a marca que um dia calçou Shaquille O'Neal e criou o tênis Pump estava, de repente, no escanteio", diz a Bloomberg BusinessWeek. No hóquei, a marca ainda é bastante relevante, mas há cerca de dois anos foi afetada por uma greve na Liga Nacional de Hóquei dos EUA (NHL). Agora, a Adidas estaria em conversa com a liga para pôr seu nome na blusa dos jogadores no lugar de Reebok.

Dados do Euromonitor mostra que a Adidas vive uma perda constante de participação de mercado na América do Norte. Em 2013, sua fatia teria reduzido 5,6%, enquanto a da Nike teria subido 19,9%. Mas a Adidas tem conseguido progredir com a Reebok ultimamente, reposicionando-a como uma marca de fitness e fazendo acordos de patrocínios e lançamentos.

Reação. A oferta pela Reebok pode colocar o presidente da Adidas, Herbert Hainer, na posição incomum de ter de reagir rapidamente aos investidores, diz o Wall Street Journal. Analistas acreditam, segundo o jornal, que o preço de US$ 2 bilhões a ser pago pela Reebok seria justo, mas questionam se a Adidas aceitaria - em parte por não saber o que fazer com tanto dinheiro. Para outros, a venda da Reebok seria uma prova de que a compra da marca foi um erro. Mas, em outro ponto de vista, a venda pode não ser o passo mais inteligente, uma vez que a Reebok está se recuperando. A Adidas não comentou a informação. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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