Fundos perdem com calote em debêntures

A elevação das taxas de juros no mercado interno, a forte valorização do dólar frente ao real e a dificuldade para captação de recursos no exterior têm criado um ambiente desfavorável para as empresas nas últimas semanas. Para muitas companhias, esse cenário motivou o não cumprimento de condições estabelecidas em títulos de emissão própria, as chamadas debêntures. Como conseqüência, investidores que estavam com esses papéis em carteira foram prejudicados, inclusive fundos de investimento.As carteiras que têm esse tipo de papel oferecem risco de crédito e, de acordo com a classificação da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), são chamadas de fundos de renda fixa crédito. A diretora do Instituto Brasileiro de Certificação de Planejadores Financeiros (IBCPF), Márcia Dessen, explica que os gestores desses fundos podem compor grande parte da carteira com títulos emitidos por empresas privadas, cujo rendimento está vinculado a uma taxa de juros pré ou pós-fixada. "Pelo nome do fundo é possível ter uma idéia se existe o risco de crédito embutido na administração do fundo. Geralmente a palavra crédito aparece no nome", explica a diretora.Márcia Dessen destaca que nesta categoria de fundo pode haver mais um risco, o de alavancagem. Isso acontece quando o gestor usa o patrimônio da carteira, geralmente títulos públicos federais, como garantia em operações no mercado futuro. Segundo ela, tanto o risco de alavancagem quanto o risco de crédito podem e devem ser checados pelo investidor. "Sempre há onde encontrar essas informações, na Internet, na Anbid ou junto ao gerente. Enfim, o melhor é ir atrás desses dados ao invés de ficar apenas esperando", afirma a diretora do Instituto.Fundos DI também têm debênturesMárcia Dessen destaca que, de acordo com as regras para a composição dos fundos de investimento, também os fundos referenciados DI (pós-fixados) podem ter debêntures em carteira. Isso porque 80% dos recursos devem estar alocados em títulos públicos federais ou papéis privados com baixo risco de crédito, de acordo com uma agência de classificação de risco. Os 20% restantes estão livres para alocação em qualquer tipo de papel. Ou seja, tanto no porcentual de 80% quanto no de 20% há a possibilidade de colocação em debêntures."Diante dessas possibilidades, não é recomendável colocar dinheiro em um fundo, mesmo que seja pós-fixado, sem ler o prospecto da carteira e, principalmente, sem avaliar os objetivos da gestão do fundo", informa Márcia Dessen. Ele explica que muitas instituições colocam a composição completa da carteira dos fundos em seus sites na Internet. "No caso das debêntures, há bancos que indicam a parcela da carteira alocada nesses papéis e, até mesmo, o nome das empresas que emitiram os papéis", diz a diretora. A opinião de Márcia Dessen, portanto, é que o investidor deve buscar as informações que deseja sobre os seus investimentos em todos os canais possíveis. "Não esperar pela decisão do banco em prestar as informações, tomar a iniciativa, ir atrás do que é importante em relação às suas aplicações deve ser uma prática constante para o investidor", recomenda a diretora.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.