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Fundos podem salvar a Gradiente

Plano é criar empresa que teria Petros, Funcef, o governo do Amazonas e a americana Jabil como sócios de Staub

David Friedlander, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2009 | 00h00

Envolvido em crises sucessivas nos últimos anos, o empresário Eugênio Staub, fundador da Gradiente, já caiu e levantou algumas vezes. Agora, em meio ao pior momento de sua história, Staub costura uma operação de salvamento com forte participação estatal. O plano é criar uma nova empresa, livre de dívidas, que teria os seguintes sócios: uma multinacional americana da área eletrônica chamada Jabil, a agência de fomento do governo do Amazonas, os fundos de pensão dos funcionários da Petrobrás (Petros) e da Caixa Econômica Federal (Funcef), além da própria família Staub.Haveria ainda a participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas não como acionista da nova empresa. O BNDES emprestaria os recursos que a Gradiente precisa para acertar suas dívidas, de cerca de R$ 300 milhões, com bancos e fornecedores. A negociação é liderada por Staub e pelo Bradesco, um dos principais credores da empresa.Símbolo da indústria eletrônica no passado, a Gradiente começou a perder o rumo nos anos 90, quando o País abriu suas fronteiras aos produtos importados. Como outras empresas nacionais, a Gradiente não resistiu à agressividade de novas marcas estrangeiras. Chegou a faturar mais de R$ 1 bilhão por ano. Hoje, duas de suas fábricas na Zona Franca de Manaus (AM) estão paradas e a terceira foi alugada à montadora de motocicletas Honda.A operação de resgate já estaria quase toda combinada, mas sua concretização ainda depende de alguns acertos. O mais decisivo envolve os principais credores da Gradiente, que precisam aceitar um desconto significativo nas dívidas que têm a receber. Há cerca de um mês, Staub tinha conseguido 80% de adesão. De lá para cá, o processo não progrediu.O empresário precisa da aceitação total dos credores para conseguir o financiamento do BNDES - e assim liquidar suas dívidas. Esse acerto, por sua vez, é condição essencial para a criação da nova empresa. Segundo o plano de negócios apresentado por Staub a parceiros, a nova empresa nasceria com um capital de R$ 150 milhões. Metade disso seria aportada pelos Staub, que entrariam com fábricas e equipamentos. A Jabil entraria com R$ 25 milhões, os fundos de pensão com R$ 17 milhões cada e a agência de fomento do Amazonas com o resto.SILÊNCIOA maior parte das pessoas envolvidas prefere distância do assunto até que esteja tudo resolvido. Temem que informações fora de hora atrapalhem o processo, já que ele envolveria ajuda do governo a um empresário muito ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Staub foi o primeiro industrial de peso a declarar apoio a Lula, na campanha de 2002. Depois da eleição, tornou-se conselheiro do BNDES. No ano passado, o próprio Lula declarou publicamente que faria o que estivesse a seu alcance "para ajudar a Gradiente a voltar a produzir".Procurado, Staub mandou dizer que o projeto de recuperação da Gradiente está em andamento mas, por razões de contrato, está impedido de falar a respeito. A Jabil, na sexta-feira, não tinha ninguém disponível para comentar o assunto. Por meio de suas assessorias de imprensa, a Funcef disse que "não há o que comentar". A Petros afirmou que "no momento, a Petros não tem estudos sobre o assunto". O único que se manifestou foi o governo do Amazonas."Estamos analisando, mas posso adiantar que vemos a ideia com muita simpatia", afirma Pedro Falabella, diretor presidente da agência de fomento do Amazonas. "Entrar como sócio de uma empresa nova, com dívidas saneadas e produtos novos, é uma forma inovadora de fomentar o desenvolvimento." Falabella, no entanto, preferiu não dar detalhes sobre o investimento e disse que não sabia quem seriam os outros sócios da nova Gradiente.A nova empresa já recebeu autorização da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) para funcionar. Vai se chamar Companhia Brasileira de Tecnologia Digital (CBDT) e usará a marca Gradiente, que seria arrendada. Pela documentação apresentada à Suframa, produziria aparelhos reprodutores de DVD, notebooks, home theaters e televisões com monitor de cristal líquido.As conversas em torno do salvamento da Gradiente começaram em meados do ano passado. No começo, Staub queria o BNDES como sócio. O banco não topou, mas aceitou financiar a dívida da Gradiente.CONTRASTEO mais chocante na situação da Gradiente é o contraste com o que ela foi no passado. Marca respeitada pelo consumidor, foi uma das líderes do mercado de equipamentos de som e era forte na venda de televisores. Produziu aparelhos celulares em parceria com a finlandesa Nokia. No ano 2000, vendeu sua metade na empresa à Nokia por US$ 450 milhões.Parecia que o futuro dos negócios de Staub estava garantido. Mas a Gradiente não decolou. Ela afundou, segundo os analistas, em razão de uma série de decisões erradas. Comprou a Philco e a vendeu pouco depois, entrou e saiu do ramo de computadores pessoais duas vezes e tentou outros negócios que não deram certo. Staub tenta agora se levantar mais uma vez.

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