Fundos podem ser bons e baratos

Pesquisa revela fundos de investimento acessíveis, com taxas baixas e rendimento próximo ou superior ao CDI

Rita Tavares e Paula Pacheco, O Estadao de S.Paulo

05 de junho de 2008 | 00h00

Uma pesquisa exclusiva do site Fortuna, especializado em fundos de investimento, identificou 28 opções acessíveis ao pequeno investidor, com aplicação relativamente pequena (até R$ 25 mil), taxa de administração baixa (até 2% ao ano) e, o que é melhor, rentabilidade próxima ou superior ao CDI (Certificado de Depósito Interfinanceiro), referência do mercado de renda fixa. Embora ofereçam retorno superior à média dos fundos, foram descobertos apenas por um pequeno número de investidores.A identificação dessas alternativas vem ao encontro de expressivas retiradas que os fundos voltados para pequenos investidores vêm sofrendo. Nos meses de março e abril, os resgates foram de R$ 7,4 bilhões, sendo que a saída mais pesada ocorreu em abril, com R$ 5,9 bilhões, segundo dados do site Fortuna.Parte dessas retiradas reflete o fraco desempenho dos fundos conservadores, com muitos tendo retorno abaixo da caderneta de poupança. Isso ocorre porque há uma estreita correlação entre rentabilidade e taxa de administração. Quanto maior for a taxa cobrada, menor será o retorno do fundo.Dos 28 fundos, apenas cinco são de grandes bancos. No caso, Caixa Econômica Federal e Nossa Caixa. Os outros são oferecidos por bancos de investimento, como Banif, Credit Suisse e Banco Fator, ou corretoras, gestores independentes e seguradoras. Tanto a Porto Seguro como a SulAmérica aparecem na listagem.O sócio-diretor do Fortuna, Marcelo D''Agosto, explica que o investidor deve estar atento a oportunidades mesmo que não estejam em bancos mais conhecidos, embora em instituições igualmente sólidas. A pesquisa não é um levantamento exaustivo de fundos bons e baratos, mas aponta alternativas de investimento no mercado.DESAFIO DO GESTORA pesquisa encontrou 13 fundos de renda fixa, nove DI, cinco multimercado e um de curto prazo. Todos estavam abertos a novos investidores em maio. Naturalmente, o interessado deve checar o histórico, as referências e a situação da instituição antes de decidir fazer um investimento - roteiro que deve sempre ser seguido.''Neste tipo de fundo o maior desafio do gestor é ter uma rentabilidade adequada ao perfil do investidor'', diz o diretor da gestora Daycoval Asset Management, Roberto Kropp, responsável por um fundo de renda fixa que aceita aplicação inicial de R$ 5 mil e cobra uma das taxas de administração mais baixas encontradas pela pesquisa: 0,25% ao ano. No período entre 31 de dezembro de 2005 e 30 de abril deste ano, o retorno do Daycoval Renda Fixa FI foi de 33,81%, superando o CDI do período, que acumulou 33,03%.Dos 28 fundos listados, 11 ficaram acima do desempenho do CDI, enquanto a rentabilidade de outros nove ficou bem próxima. Para conseguir esse desempenho em renda fixa, as instituições não se limitam a ter títulos públicos em carteira. O economista da corretora Concórdia, Ricardo Martins, explica que o fundo inclui títulos privados, cujo retorno é melhor, embora o risco também seja mais elevado. Para um fundo de renda fixa, com aplicação inicial de R$ 20 mil, a taxa é de 0,5% ao ano - a mesma desde 1996.''A taxa não pode ser mais alta porque simplesmente comprometeria a rentabilidade'', endossa o diretor da Máxima Asset, Saulo Sabbá, cujo fundo de renda fixa também cobra taxa de administração de 0,5% ao ano. Assim como Kropp, da Daycoval, Sabbá acredita que esse tipo de investimento, com características tão conservadoras, pode ser uma opção mesmo para aqueles que simplesmente não querem deixar o dinheiro parado na conta corrente. ''Pode ser uma opção para um investidor montar uma carteira mista e se garantir em tempos de oscilação'', diz.MENOS CUSTOSEspecializada em seguros-saúde e planos de previdência, a SulAmérica também atua no mercado de fundos. A partir de R$ 2,5 mil é possível tornar-se cotista de um fundo de renda fixa com taxa de administração de 0,45% ao ano. E como é possível oferecer taxas mais baixas? Marcelo Mello, vice-presidente da SulAmérica Investimentos, explica: ''É um fundo conservador, que praticamente não assume riscos, com baixíssima volatilidade''. E por ser conservador, argumenta o executivo, exige menos dos gestores, o que reduz as despesas e permite uma taxa reduzida.Ele sugere que todos os investidores tenham um porcentual de seus recursos em produtos mais conservadores, de maior liquidez, em prazos mais curtos. Além de reduzir o risco, asseguram tranqüilidade em momentos de maior turbulência, quando a oscilação assusta.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.