Fundos precisam "casar" investimento e meta, diz especialista

Os fundos de pensão precisam "casar" investimentos com metas atuariais e com os compromissos de pagamento de aposentadoria, por isso precisam garantir liquidez, rentabilidade e segurança e aplicar recursos com a garantia de "respeito a contratos". A avaliação é de Samuel Oliveira, diretor da empresa de gestão de fundos de participação Stratus e ex-assessor especial do Ministério da Previdência no governo Fernando Henrique Cardoso. Ele fez as declarações ao avaliar a intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de solicitar a colaboração dos fundos de pensão estatais para investirem em projetos de infra-estrutura (transportes, eletricidade, saneamento e habitação) orçados em R$ 191,4 bilhões para os próximos quatro anos. O especialista diz que não há qualquer preconceito com investimentos em infra-estrutura, mas é preciso assegurar o retorno do investimento levando-se em consideração que mais de 80% do patrimônio dos fundos de pensão são de benefício definido (ou seja, garantem a aposentadoria complementar por determinado valor). Ele observa que o equilíbrio atuarial poderá ser mantido desde que os projetos tenham "um baixo risco de crédito, um retorno superior à meta atuarial (em geral 6% ao ano mais correção por índices inflacionários) e uma liquidez intermediária, tudo deve permitir aos fundos de pensão casarem os fluxos de recebimento com as suas obrigações". "Do ponto de vista do investidor, como condição essencial à captação de recursos para projetos de infra-estrutura está a questão do respeito aos contratos", concluiu Samuel Oliveira.

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