Fundos prefixados têm ganhos limitados

Para conseguir uma rentabilidade maior nos fundos de renda fixa prefixados, os gestores podem adotar a estratégia de alongar o vencimento dos papéis que compõem a carteira do fundo. Porém, de acordo com analistas, o prazo oferecido pelos títulos do governo não são longos o suficiente para provocar, de fato, uma diferença significativa na valorização desses fundos.Os vencimentos dos papéis da dívida pública do País estão concentrados nos próximos seis meses. De acordo com dados do Banco Central, 76,01% dos papéis prefixados do governo têm data de liquidação até janeiro de 2001. De acordo com Dany Rappaport, diretor do Santander Asset Management, o governo não tem papéis de prazo mais longo para oferecer porque não existe demanda por parte dos investidores. Isso porque eles temem assumir o maior risco dos títulos de prazo mais longo. "Com o fortalecimento da estabilidade da economia e a concretização das perspectivas de crescimento do País, a tendência é que essa procura aumente", afirma. Prazo curto: impacto pequeno nos fundos de renda fixa prefixadosPara os fundos de renda fixa prefixados, a limitação dos prazos dos papéis do governo significa que, mesmo que ocorra uma queda das taxas de juros, o impacto será muito baixo, já que existe apenas um pequeno volume de papéis - 23,99% - com prazo mais longo e, mesmo assim, vão apenas até maio de 2001. Para se ter um idéia, caso a carteira de um fundo fosse formada apenas com papéis prefixados, comprados agora e com vencimento em janeiro de 2001, dentro das perspectivas de juros de 16% ao ano no final de 2000, o investidor ganharia algo próximo de 0,22 ponto percentual adicional, já que a taxa básica de juros - Selic - está em 16,5% ao ano. O ganho é proporcional ao prazo do título. Um título de um ano teria ganho próximo de 0,43 ponto percentual, para termos uma comparação.Contratos futuros de DI também compõem carteira de fundos prefixadosOutra maneira de prefixar os fundos de renda fixa é a colocação de contratos futuros de DI. Também nesses papéis, o prazo não é muito longo. De acordo com Eduardo Castro, diretor de renda fixa do ABN Amro Asset Management, os papéis mais líquidos - com maior volume de negócios -, e por isso os mais usados na composição das carteiras, têm vencimento em 1º de dezembro e 2 de abril.Empresas lançam papéis pós-fixadosAlguns gestores podem usar papéis emitidos por empresas privadas para compor suas carteiras de fundos prefixados e pós-fixados. Com a perspectiva de queda das taxas de juros, as companhias estão oferecendo apenas papéis pós-fixados. São as chamadas debêntures, com prazo de 24 meses, e os commercial paper, que têm período variável entre 180 dias e um ano. "Os papéis são indexados ao Índice Geral de Preços ao Consumidor (IGP-M) ou Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Isso é um indicativo de que as empresas acreditam que as taxas de juros devem cair e por isso não querem correr o risco de ter que pagar juros mais altos em relação às taxas vigentes no vencimento do papel", afirma Flávio Bojikian, diretor de renda fixa da BankBoston Asset Management.Augusto Martins Ferreira, diretor de renda fixa da Unibanco Asset Management, acredita que o volume dos papéis lançados pelas empresas tende a aumentar se a política de juros declinantes for mantida pelo País. Isso porque a empresa pagará juros mais baixos ao investidor no mercado interno e não terá custos das transações cambiais. O executivo afirma que o saldo entre a oferta de papéis por parte das empresas e o interesse dos investidores está equilibrado.

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