Fundos procuram investimento social

Há cerca de R$ 500 milhões disponíveis no Brasil para aplicações que tragam resultado social aliado a retorno financeiro

GABRIELA FORLIN, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2013 | 02h14

Dez fundos de investimento de impacto, quatro internacionais e seis brasileiros, têm aproximadamente R$ 500 milhões disponíveis para fazer negócios no Brasil, segundo Daniel Izzo, sócio-fundador de um deles, o Vox Capital. Esses fundos injetam capital em empresas cujas atividades contribuem para a redução da pobreza, ao mesmo tempo em que buscam retorno para investidores.

Em todo o mundo, a cifra é mais expressiva. Calcula-se que mais de US$ 9 bilhões serão direcionados aos investimentos de impacto apenas em 2013, segundo a pesquisa realizada pela Global Impact Investing Network (GIIN) em parceria com o banco JP Morgan. Já o total de capital disponível para ser injetado nesse segmento chega aos US$ 24 bilhões, provenientes de 260 fundos. "Até 2020, o setor pode receber entre US$ 400 bilhões e US$ 1 trilhão em investimentos ao redor do globo", destaca Izzo.

Por conta do caráter social do investimento de impacto, o executivo observa que muitas pessoas deixam de considerar o negócio por acharem que não há retorno. No entanto, o ganho com esses fundos pode ser acima da média do mercado, segundo Clovis Meurer, presidente da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap).

"Os fundos de private equity buscam, em média, retornos de 15% a 20% ao ano. Mas isso considerando empresas de médio e grande portes, já consolidadas. Os fundos de investimento de impacto investem em pequenas empresas e startups. Como o risco é maior, eles também buscam ganhos superiores, em torno de 25% a 30% ao ano."

De acordo com a pesquisa do GIIN e do JP Morgan, 89% dos entrevistados disseram que seus ganhos com investimentos de impacto correspondem ou superam suas expectativas.

Apesar de não abrir números, Izzo, do Vox, diz que a rentabilidade gerada pelas empresas nas quais o fundo faz aporte "está na média do mercado". Embora preze pela responsabilidade social, ele destaca que a gestora não investe em organizações sem fins lucrativos, fundações e ONGs, por exemplo. "Buscamos startups, mas que tenham grande potencial de crescimento e gerem retorno", afirma.

Izzo fundou a gestora em 2009 com Antônio Moraes Neto, herdeiro do Grupo Votorantim, e a empresária Kelly Michel. Atualmente, o fundo dispõe de R$ 40 milhões para realizar seis operações nos próximos dois anos. Dentro dos negócios voltados à população de baixa renda, eles priorizam os segmentos de saúde, educação, habitação e serviços financeiros.

"Há coisas interessantes em educação. Estamos olhando com bastante carinho para ensino técnico e profissionalizante, que a gente acredita que há um 'gap' muito importante no Brasil", comenta. Os principais investidores do Vox são family offices e empresários brasileiros, mas há também dois investidores internacionais: o Potencia Ventures, investidor de impacto global, e o Fundo Multilateral de Investimento (Fumin), do Grupo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

Competição. Dos dez fundos de investimento de impacto que atuam hoje no Brasil, sete começaram a operar a partir de 2011, de acordo com o executivo. Sendo assim, a competição existe, mas não chega a ser forte. "Ainda estamos numa lógica de cooperação, vendo possibilidades de coinvestimento", diz ele. Nesse sentido, o Vox Capital já investiu em parceria com o Bamboo Finance, fundo suíço, e com o LGT Venture Philanthropy, de Liechtenstein.

Apesar de o termo investimento de impacto ser relativamente novo, a prática já existe há décadas, explica o presidente do GIIN, Luther Ragin. "O nascimento do termo reflete o esforço de formar uma indústria consolidada."

Tradicionalmente, as atividades têm estado concentradas nos Estados Unidos e na Europa, mas, segundo Ragin, países emergentes, como Brasil, México e Índia têm começado a se destacar.

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