Fundos reforçam ganho com queda de juro

A redução de meio ponto porcentual na taxa básica de juros, de 18,50% ao ano para 18%, pelo Comitê de Política Monetária (Copom), na semana passada, surpreendeu investidores e mercado financeiro. A expectativa geral era que o juro básico, principal referência para o cálculo de rendimento das aplicações financeiras, permanecesse onde estava desde março. Sacramentado o corte, é preciso saber como a decisão do Copom afeta as aplicações e se é momento de reavaliar os investimentos. Para começar, o corte do juro básico combinado com a redução de estresse no mercado financeiro teve reflexo imediato no rendimento dos fundos de renda fixa e DI. Ambos amargaram fortes perdas em maio e junho. Os fundos de renda fixa, com a contínua elevação das taxas de juro no mercado futuro, e os DI, com o crescente deságio dos títulos no mercado secundário, onde são negociados os papéis, seja da carteira própria dos bancos, seja da carteira dos fundos de investimento que administram. Por trás da alta dos juros e do deságio, movimento que achatava o rendimento dos fundos de renda fixa e dos DIs, estavam as incertezas com o rumo da dívida pública no novo governo. As perdas foram ampliadas e agravadas, na maioria dos fundos, pela exigência do Banco Central de atualização do valor das cotas pelo valor dos títulos no mercado. A redução da taxa básica e a melhora de humor abriu espaço para que os fundos de renda fixa e DI iniciassem a compensação de parte, embora modesta, das perdas acumuladas entre maio e junho, principalmente. A compensação, de todo modo, será limitada, por enquanto, porque a redução de meio ponto porcentual do juro básico é minúscula comparada com a espichada dos juros futuros, superior a cinco pontos nos prazos mais longos, que causou perdas nos fundos de renda fixa. Outro fator que deve restringir a recuperação é que, no sufoco, a maioria dos administradores tentou fugir dos solavancos das cotas e, portanto, das perdas, com a troca dos títulos de prazos longos, mais voláteis, pelos pós-fixados de prazos curtos. Estão fora do processo de recuperação os fundos de administradores que venderam os papéis longos e os investidores que fizeram retiradas materializando, em ambos os casos, as perdas. Vão tirar maior proveito do movimento de recuperação, por sua vez, os fundos que mantiveram em carteira os títulos prefixados de vencimentos mais longos. Alguns fundos de renda fixa renderam nos últimos dias entre 0,40% e 0,50%, comparados com uma variação de 0,45% do juro do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) na semana. A continuidade de recuperação dos fundos de renda fixa vai depender da expectativa de novos cortes na taxa básica de juros nas próximas reuniões do Copom. Uma reversão de humor, com a volta do estresse aos mercados, poderia levar a uma reversão de taxas e provocar novas perdas. Tendência semelhante podem descrever os fundos pós-fixados, cuja recuperação está associada à redução do deságio dos títulos negociados no mercado secundário. Fica claro, por aí, que as oscilações no valor das cotas e, por tabela, no rendimento farão parte do comportamento desses fundos. IndicaçõesÉ certo que, com a exigência de atualização diária das cotas pelo valor de títulos no mercado, o rendimento dos fundos está mais exposto ao humor do mercado financeiro. Uma dica para o investidor que não quiser ser refém desse vaivém, principalmente por causa da proximidade das eleições, são os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) vinculados ao juro do CDI. A sugestão é do responsável pela Divisão Private Banking do Sudameris, Eduardo Santalúcia. O CDB-CDI, como é conhecido, rende determinada parcela, algo entre 94% e 99%, do juro interbancário. "É a melhor indicação para o investidor que não quer ficar sofrendo com as turbulências, porque o rendimento é o definido com o banco." Um CDB que assegura uma taxa equivalente a 97% da do CDI, em torno de 18% ao ano, renderia 17,46% bruto ou 13,95% ao ano líquido, descontado o Imposto de Renda de 20%. O juro líquido de 13,95%, no caso, é quase o dobro do rendimento em torno de 7% da caderneta no ano. "É importante que o investidor negocie a melhor taxa com o gerente e faça a aplicação por prazos bastante longos, para evitar seguidas cobranças de CPMF." A CPMF é recolhida toda vez que ocorre o vencimento do CDB e o dinheiro que volta à conta corrente sai para reaplicação.

Agencia Estado,

22 de julho de 2002 | 11h38

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.