Fundos setoriais: riscos e vantagens

Para os investidores que já têm recursos direcionados para o mercado de ações e buscam uma diversificação maior dentro desse segmento, os fundos setoriais podem ser vistos como uma das opções. Nesse tipo de aplicação, a carteira do fundo é formada, quase que totalmente, por papéis de empresas de um mesmo setor, como energia, telecomunicações, bancos, varejo e petróleo - os mais comuns. Alguns gestores alocam até 10% dos recursos em papéis de renda fixa. Trata-se de uma forma para diminuir perdas em períodos de instabilidade maior, mas que não afasta o principal risco do investimento. "Os fundos setoriais contrariam uma das principais recomendações para o investidor, que é a diversificação. Por isso são recomendados apenas para quem já tem dinheiro em ações", afirma Júlio Ziegelmann, diretor de renda variável da BankBoston Asset Management.Além disso, os analistas lembram que o investidor vai precisar ficar atento às perspectivas para o setor escolhido, pois, mesmo que a composição da carteira seja definida pelo gestor com base em análises de empresas, a opção pelo segmento será apenas do investidor e é dele a decisão de sair do segmento. Isso não acontece em fundos que têm papéis de empresas de setores variados. "Nesse caso, é o gestor do fundo quem acompanha as perspectivas dos segmentos escolhidos", explica Luiz Antonio dos Santos, gerente da divisão dos fundos de renda variável da BBDTVM (Banco do Brasil Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários). Dica: verifique a composição da carteiraApesar de serem oferecidos como fundos setoriais e até mesmo apresentarem em seu nome indicações do setor, como "Energy", "Energia" ou "Flash", por exemplo, alguns produtos não são compostos exclusivamente por ações de empresas do segmento. "Com base em uma política de investimentos, alguns gestores alocam ações de empresas de setores correlacionados, como petróleo, gás e segmentos de distribuição de combustíveis, químico e petroquímico", declara o diretor de renda variável do ABN Amro Asset Management, Alexandre Póvoa.O executivo também destaca a estratégia de alguns gestores que chegam a alocar derivativos - operações de mercados futuros (veja mais informações no link abaixo) - nessas carteiras como forma de elevar a rentabilidade do fundo. "Na hora de comparar a rentabilidade dos produtos de um mesmo setor, de energia, por exemplo, os resultados podem ser discrepantes entre as instituições observadas. No final, o investidor pode estar levando gato por lebre", diz.Veja na matéria seguinte alguns produtos e suas características.

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