Fundos têm regras para atualização de cotas

A investigação do Banco Central em 50 fundos de investimento DI, iniciada em janeiro, teve como desfecho, na semana passada, a Circular n°. 3.086. Ela define critérios para que os fundos precifiquem igualmente os títulos da carteira e dêem mais transparência à indústria de fundos. A precificação, também chamada marcação a mercado, consiste em atualizar os títulos a seu valor diário no mercado.De acordo com Mathias Fulda, consultor da RiskControl, empresa especializada no cálculo do risco das aplicações financeiras, as cotas dos fundos de renda fixa e DI, principalmente, tendem a apresentar algumas variações na adaptação às regras da circular.Esses fundos têm nas carteiras papéis cambiais negociados em contratos atrelados ao CDI (índice de referência dos fundos). Significa que essas carteiras embutem também a variação cambial, que não era considerada. A mudança poderia provocar forte impacto nos fundos. Mas, como o prazo para a adaptação às novas regras vai até junho, o efeito deverá ser diluído e não percebido.Outra conseqüência, segundo Fulda, será a maior volatilidade das cotas de fundos de renda fixa e DI, porque os gestores costumavam ocultar perdas ocasionais em negócios com papéis cambiais. "A maior volatilidade não é ruim, é retrato do valor real que o investidor tem."O consultor explica que a mudança impedirá que o valor da cota dos fundos seja imprecisa e haja transferência de valores entre os cotistas. Isso ocorria porque alguns gestores marcavam títulos com pouca liquidez, como os atrelados ao câmbio, a um valor maior que o justo. A diferença se refletia na cota e o primeiro cotista que fizesse o saque levava um valor maior do que o que teria direito. O seguinte compensava a perda retirando menos.

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