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Fundos têm resgate líquido de R$ 20,4 bi em novembro, o maior desde a crise de 2008

A saída só superou os números de outubro de 2008, quando houve resgate líquido de R$ 28,9 bilhões; Anbima afirmou que investidores já estão se movimentando sacando recursos do banco

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

09 Dezembro 2015 | 12h05

SÃO PAULO - A indústria de fundos no Brasil registrou em novembro um resgate líquido de R$ 20,4 bilhões, marcando, assim,  a maior saída líquida desde outubro de 2008, quando as retiradas superaram as aplicações em R$ 28,9 bilhões, de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

A Anbima mostra que os resgates foram mais concentrados na última semana do mês, sendo que até esse momento os fundos ainda registravam captação líquida. Outro fator que interfere nos números de novembro é o come-cotas. Segundo Carlos Massaru, vice-presidente da entidade, mês passado o come-cotas consumiu cerca de R$ 5 bilhões do patrimônio líquido da indústria.

Com esse desempenho em novembro, a captação líquida dos fundos no ano até o mês passado ficou em R$ 7,9 bilhões, o menor nível para esse período desde 2008.

O ponto positivo, destaca Massaru, está no segmento de Previdência, que vem registrando entrada consistente de recursos. Nos onze primeiros meses do ano, essa classe acumula captação líquida de R$ 32,6 bilhões. Em relação a outras modalidades, Massaru disse que as boas rentabilidades apresentadas não estão se traduzindo em captação. 

BTG. A tendência é que os investidores da indústria de fundos de investimento permaneçam na indústria, mesmo após optarem em mudar de gestor, afirmou Massaru, ao ser questionado se a entidade esperava diminuição do patrimônio líquido dos fundos após o evento envolvendo o BTG Pactual, que tem provocado saques de seus fundos.

Massaru disse, no entanto, que é difícil mensurar quanto desses recursos que foram retirados dos fundos do BTG migraram de fato para outros, mas destacou que essa é a tendência que geralmente é observada na indústria. Ele lembrou que ao longo deste ano, a mudança do PL dos fundos ocorre pelo contexto macroeconômico, e que o evento do BTG é algo isolado.

Neste ano, disse, já vinha sendo observada uma migração por parte dos investidores, que têm preferido produtos mais conservadores e mais líquidos. 

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