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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Fundos: tendência são produtos específicos

A marcação a mercado dos títulos que compõem a carteira dos fundos trará transparência à estratégia dos gestores na composição dos fundos. A tendência é que os bancos ofereçam produtos específicos para quem não aceita riscos, os quais serão compostos em grande parte por títulos públicos de curto prazo, e outros com estratégias mais agressivas, em que o rendimento tende a ser maior em troca de risco elevado.Algumas instituições já fazem essa diferenciação. A BankBoston Asset Management é exemplo disso. Segundo o vice-presidente do BankBoston, Ricardo Gallo, são oferecidos dois fundos referenciados DI (pós-fixados): um com estratégia mais agressiva, o Performance DI, e o Boston DI, com política de alocação de recursos mais conservadora.No caso do Performance DI, os papéis da carteira têm vencimento dentro de dois a três anos. "Esse prazo é considerado longo. Quem escolhe essa carteira está ciente da possibilidade de fortes oscilações no valor da cota e, em troca desse risco, sabe que há chance de rentabilidade elevada", explica Gallo. Já os fundos com perfil conservador tem papéis com prazos mais curtos. Atualmente, a classificação da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) define uma categoria única para todos os fundos referenciados DI. Segundo o gerente de credenciamento de investidores institucionais da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Luís Felipe Lobianco, é possível que, com a marcação a mercado, essa classificação seja subdividida em carteiras com maior e menor risco, seja pela duração dos papéis ou pelos títulos que a compõem.Papéis mais longos têm risco maiorA marcação a mercado é uma prática saudável para a indústria de fundos, pois a partir de agora o comportamento das cotas dos fundos vai refletir efetivamente as condições do mercado de juros. Ou seja, se as condições econômicas e fiscais do País geram incertezas há um aumento da taxa de risco-país. Com isso, o governo precisa pagar juros mais altos para negociar seus papéis, o que significa que os títulos são vendidos com um desconto maior.O fato é que os papéis que compõem grande parte dos fundos referenciados DI (pós-fixados) são compostos por títulos da dívida brasileira, as Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), que pagam juros pós-fixados. Esses papéis pagam a Selic, a taxa básica de juros da economia, mais uma porcentagem. Quanto maiores as incertezas, maior será essa porcentagem. Ao negociar este título, essa porcentagem significa um desconto para quem compra o papel. Um exemplo: um título que custa 100 e paga 103% da Selic significa que é vendido com um desconto de 3. Nesse caso, por 97. Se há uma percepção desfavorável sobre as condições econômicas e fiscais do País, o investidor exige juros mais altos, o que significa que receberá um desconto maior para comprar o mesmo papel. Nos papéis mais longos, que embutem um risco maior, o governo dá descontos maiores. Ou seja, pagam juros mais elevados. O problema é que, com a marcação a mercado, se há uma piora das condições econômicas e fiscais, o desconto precisa ser ainda maior e isso ficará claro na cota do fundo. Por exemplo, um título valendo 100 que paga 105% da Selic foi precificado a 95 para o cálculo da cota. Em condições piores, esse mesmo título teria que pagar 110% da Selic e passaria a valer 90 para o cálculo da cota. Ou seja, a cota do fundo apresentará uma oscilação negativa.Com a marcação pelo valor de face, apenas os juros altos recebidos nesses papéis era refletido no valor da cota, sem levar em conta as oscilações dos juros nos mercados provocadas pelas condições econômicas do País. O resultado disso é que muitos fundos que tinham esses papéis em carteira apuravam rendimentos expressivos em relação aos fundos mais conservadores, em que a duration - prazo médio dos títulos - era menor. "O investidor deve estar atento a ganhos expressivos. No caso dos fundos DI, havia muitas carteiras que pagavam juros muito acima da média da indústria de fundos. O investidor precisa ter clara a idéia de que rendimentos elevados implicam em riscos maiores e ele precisa estar ciente de quais são esses riscos", afirma a diretora técnica do Instituto Brasileiro de Certificação de Planejadores Financeiros (IBCPF), Márcia Dessen.

Agencia Estado,

05 de junho de 2002 | 18h09

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