Fundos trocam Brasil pela Índia

Estudo global mostra investidores saindo de emergentes mais frágeis e privilegiando os países com perspectivas de crescimento

Altamiro Silva Júnior, correspondente, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2015 | 02h04

NOVA YORK - Os fundos de investimentos globais redobraram a cautela com o Brasil e outros emergentes mais fragilizados nos últimos meses. Em uma lista de 31 emergentes, o Brasil, junto com a China, foi o mercado que mais perdeu espaço nas carteiras dos gestores estrangeiros desde o fim de junho, dentro do processo de realocação internacional das aplicações em 2015, de acordo com estudo do Instituto Internacional de Finanças (IIF), formado pelos maiores bancos do mundo. Índia, o emergente que mais deve crescer este ano, e Coreia do Sul, ao contrário, ganharam peso nas carteiras.

Os fundos globais têm reduzido aportes em emergentes este ano em ritmo expressivo, tanto em renda fixa como em ações, mas a diferenciação entre os países aumentou, de acordo com o IIF. Baixo crescimento, resultados decepcionantes de empresas, aumento das dívidas corporativas em moeda estrangeira e queda dos preços das commodities estão entre os fatores que contribuem para a cautela dos investidores estrangeiros em relação a alguns emergentes, de acordo com o relatório.

Política. Além desses fatores, outros países têm apresentado uma série de problemas políticos internos que estão assustando os estrangeiros, afirma o relatório, sem citar nomes. Para ajudar a elevar a aversão ao risco dos investidores, o IIF destaca que a piora da economia dos emergentes e, em alguns casos, também da situação política, foi seguida por rebaixamento da nota de ratings dos países, alta dos prêmios de riscos - evidenciado pela alta das taxas do Credit Default Swap (CDS), uma espécie de seguro contra calotes - e redução da rentabilidade das ações das bolsas dos emergentes, diz o IIF.

A perda dos emergentes, de acordo com o IIF, não tem sido um processo homogêneo. "Houve diferenciação muito maior entre os emergentes no terceiro trimestre", afirma o documento, citando que Brasil, China, Indonésia e Turquia tiveram redução muito mais expressiva. Em contraste, Índia, Coreia do Sul, México e África do Sul atraíram mais recursos.

Em um gráfico que mostra as mudanças nos ativos sob gestão dos fundos por País, o Brasil foi o que mais perdeu recursos, novamente ao lado da China. A Indonésia também teve perda expressiva. Os dados incluem, além dos fundos de investimento, os ETFs (carteiras que reproduzem índices de ações). O movimento de retirada de recursos dos emergentes tem sido liderado por investidores institucionais, que estão se desfazendo de suas posições e são responsáveis por cerca de 75% dos saques no terceiro trimestre.

 

Mais conteúdo sobre:
Brasilíndiainvestimento

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.