Furlan afirma temer 'recaída protecionista'

Para ex-titular do MDIC, País deveria ampliar desonerações para aumentar a competitividade

FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2012 | 03h02

O ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e atual membro do Conselho de Administração da Brasil Foods, Luiz Fernando Furlan, disse ontem, em entrevista à 'Agência Estado', ter preocupação com o risco de uma recaída protecionista do Brasil.

Furlan fez essa observação ao ser questionado sobre a insistência do governo brasileiro em manter, no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), o debate sobre o ajuste de políticas comerciais à variação cambial para evitar prejuízos ao setor produtivo.

Na edição de ontem do Estado, o embaixador brasileiro na OMC, Roberto Azevedo, disse que o País "quer ter o direito reconhecido de elevar tarifas de importação ou implementar barreiras toda vez que uma valorização excessiva do câmbio afetar a entrada de produtos no País e prejudicar a indústria nacional".

"Eu acho que algumas medidas são importantes, mas tenho uma preocupação com uma recaída protecionista do Brasil", disse Furlan.

"Estamos usando algumas desculpas protecionistas para justificar nossa deficiência em tomar medidas que desonerem a produção e aumentem a competitividade", criticou.

Em seguida, o ex-ministro fez sugestões: "Colocaria toda minha energia em uma agenda de competitividade, melhorando a infraestrutura, simplificando a burocracia, desonerando e tratando do custo do dinheiro para a produção, que não pode ser comparado com o custo do dinheiro para consumo".

Um exemplo dado por Furlan como sendo de cunho protecionista foi o aumento de 30 pontos porcentuais na alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros importados. A medida foi adotada pelo governo federal em meados de setembro. "É uma medida heterodoxa, não se sustenta na OMC, e o governo sabe disso."

O ex-ministro lembra que, quando foi convidado a assumir o Ministério do Desenvolvimento, em 2002, uma das primeiras perguntas que fez ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi se ele teria uma política protecionista ou apoiaria uma política de expansão das exportações e de conquista de mercados.

"Eu disse: 'Olha, presidente, se o senhor acha que tem de ter uma política protecionista eu não sou a pessoa certa'", contou.

Desonerações. Na entrevista, Furlan defendeu desonerações permanentes para setores produtivos da economia brasileira.

"Já ficou provado que a redução do IPI para a linha branca é bom. Por que não tirar de uma vez?", disse, ao comentar o anúncio feito ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que estendeu para o final de junho a redução do IPI sobre produtos da linha branca e incluiu na redução do imposto outra lista de produtos, como móveis, laminados e luminárias.

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