Furlan aponta entrada menor de produtos chineses

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, afirmou que a velocidade de crescimento das importações de produtos chineses "mais sensíveis" para a indústria brasileira está se reduzindo. Segundo o ministro, isso é resultado de acordos feitos com os chineses para redução voluntária das exportações da China para o Brasil.Os produtos considerados "sensíveis" são aqueles que trazem forte concorrência para os fabricantes nacionais, como têxteis, confecções e brinquedos. Esses produtos entram no País com preço muito baixo, tornando muito difícil a concorrência com os nacionais.Furlan comentou, no entanto, que a Secretaria de Comércio Exterior (Camex) do Ministério do Desenvolvimento está olhando com muito cuidado tentativas de fraudes em importações de produtos a preços inferiores ao valor real. Existem hoje protocolados vários pedidos de empresas brasileiras para o Brasil adote barreiras comerciais contra os produtos chineses."Tem-se conseguido evitar que algumas empresas fraudem o Fisco", comentou o ministro. Segundo ele, há um esforço grande da Polícia Federal e da Receita Federal para coibir essas práticas, que prejudicam a economia nacional.Na avaliação do ministro, a qualidade dos produtos chineses importados é melhor atualmente. O Brasil, segundo ele, está importando mais componentes e equipamentos mais sofisticados. Como exemplo dessa melhoria, o ministro mencionou os brinquedos importados da China. Segundo Furlan, a atuação do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) certificando os produtos para que não sejam danosos e não contaminem as crianças está permitindo um nível melhor na qualidade dos produtos.NúmerosEm 2005, o Brasil teve um superávit comercial de US$ 1,48 bilhão com a China. Em 2006, o saldo caiu para 410,4 milhões. No primeiro bimestre deste ano, o Brasil amargou um déficit de US$ 389 milhões. Essa seqüência de dados mostra o que está acontece no comércio do Brasil com a China: embora a China continue sendo um excelente mercado para as exportações brasileiras, os produtos chineses ocupam o mercado brasileiro numa velocidade bem maior.De acordo com os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a participação da China nas exportações brasileiras passou de 5,78% em 2005 para 6,11% em 2006. Já a participação dos produtos chineses no mercado brasileiro subiu de 7,27% para 8,74%. No primeiro bimestre deste ano, a China ultrapassou a Argentina entre os principais fornecedores para o mercado brasileiro, passando a ocupar a segunda posição, atrás apenas dos Estados Unidos. No ano passado, a China era o terceiro maior fornecedor. Foram importados principalmente equipamentos e componentes eletrônicos, têxteis e brinquedos. Em 2006, a China foi também o terceiro maior mercado consumidor de produtos brasileiros, atrás dos Estados Unidos e da Argentina. Os principais itens exportados foram minérios de ferro, soja e óleo bruto de petróleo.ExportaçõesFurlan disse ainda que é necessário diversificar a pauta de exportações brasileiras para a China."Temos que vender produtos de maior valor agregado. É um grande mercado, que está crescendo e com hábitos de consumo que estão sendo incrementados. Nós não podemos ficar eternamente vendendo produtos básicos de baixo valor agregado", disse. O Ministério do Desenvolvimento decidiu enviar missão comercial à China, ainda no primeiro semestre deste ano. Os preparativos para a missão começam na segunda quinzena de março, com o apoio do Conselho Empresarial Brasil-China.Furlan se manifestou contrário à proposta apresentada semana passada pelo ministro do trabalho, Luiz Marinho, de taxar as exportações. "É preciso ter estabilidade na regra do jogo. Quando você convence uma empresa a fazer investimentos, tem que ter segurança na regra do jogo", disse Furlan.Ele também se disse contrário a reduzir a alíquota do Imposto de Importação como defendem alguns economistas, para equilibrar o fluxo de entrada e saída de dólares no País. Furlan disse que seria um péssimo momento fazer uma abertura comercial no meio de uma rodada de negociação na Organização Mundial de Comércio (OCM). "Sou favorável à abertura comercial, desde que tenhamos algo em troca", defendeu.

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