Furlan critica contingenciamento orçamentário do governo

O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, criticou o modo como o governo estabelece os contingenciamentos orçamentários e classificou como "produtivas" as viagens internacionais feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante apresentação dos resultados da balança comercial de maio, concluída hoje, o ministro do Desenvolvimento afirmou que o governo e a imprensa têm "pouca sensibilidade" para avaliar corretamente a relação de custo e benefício das viagens presidenciais ao exterior, bem como em preservar de cortes orçamentários determinados investimentos públicos. "O governo têm uma centena de projetos, alguns mais relevantes, onde o custo é de 10 e o retorno é de 100 em dois anos, mas quando se faz um contingenciamento horizontal no orçamento, não se leva em conta aquilo que pode lhe dar um melhor retorno", disse Furlan, numa crítica direta à equipe do Ministério do Planejamento, responsável pelo controle e execução do Orçamento Federal. A falta de investimentos em portos foi um dos exemplos concretos citados por Furlan. Segundo o ministro, em alguns destes locais, os investimentos necessários para melhorar a infra-estrutura de acesso são de baixo volume de recursos, mas acabam sendo prejudicados quando há um corte linear no orçamento. "o custo de arrumar um pequeno trecho de rodovia perto de um porto é muito pequeno em relação ao resultado que pode ser obtido com essa melhoria", defendeu. Furlan prometeu que levará a questão para a reunião de amanhã da Câmara de Política Econômica. Na mesma linha, o ministro rebateu as críticas feitas até agora sobre as viagens internacionais do presidente Lula. O Desenvolvimento têm feito, segundo o ministro, um acompanhamento do comportamento das exportações brasileiras para países que já receberam visitas presidenciais. De acordo com os dados apurados, houve crescimento das exportações em todos os países, após as visitas do presidente Lula. "De novembro de 2003 para cá, as exportações para a Namíbia cresceram 49,7%, para África do Sul 46%, para o Egito 97%, outros 52% para a Líbia, e 800%, passando de US$ 8 milhões para US$ 74 milhões, as exportações para a Síria", citou. "Esse tipo de coisa mostra concretamente que as viagens presidenciais têm efeito relevante, é uma abertura de portas e avenidas", comentou. Furlan aproveitou o contexto para defender a compra de um novo avião presidencial. "Só o aumento das exportações para a Síria já paga, com sobra, o custo da aeronave", disse. Furlan deixou claro que essas avaliações estavam sendo dadas em função das críticas feitas às viagens de Lula. "É uma resposta clara para quem diz que as viagens são mais festivas do que produtivas", salientou. AçoO ministro do Desenvolvimento afirmou que o governo não está interferindo nas negociações entre os produtores e consumidores de aço no País, mas apenas buscando "estimular" as discussões. A afirmação foi feita pelo ministro ao avaliar a pauta da reunião desta tarde, onde estarão sentados na mesma mesa, representantes das siderúrgicas e dos principais segmentos consumidores de aço do País para debater questões como garantia de fornecimento de insumos e preços.A reunião será coordenada pelo ministro Furlan, que estará acompanhado do secretário de Desenvolvimento da Produção do Ministério, Carlos Gastaldoni. No início do ano, o governo promoveu alguns encontros com esse grupo de empresários para tentar costurar um acordo que garantisse o fornecimento de aço para os produtores de máquinas, veículos e equipamentos, e um freio nas pretensões das siderúrgicas de elevar os preços dos seus produtos, o que poderia resultar em efeitos negativos em termos de inflação. Para o ministro, o papel do governo, ao intermediar essas discussões, deve ser o de tentar aproximar as partes em direção de um acordo que garanta "respeitabilidade recíproca". "Não estamos interferindo, apenas estimulando as conversações", argumentou. O encontro será realizado na sede do Ministério do Desenvolvimento, em Brasília, a partir das 14h30.

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