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Furlan defende desonerações permanentes para setor produtivo

‘Já ficou provado que a redução do IPI para a linha branca é bom. Por que não tirar de uma vez ?’, disse o ministro

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

27 de março de 2012 | 09h05

SÃO PAULO - O ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e atual membro do Conselho da BRF Brasil Foods, Luís Fernando Furlan, defendeu em entrevista à Rádio Eldorado/ESPN desonerações permanentes para setores produtivos da economia brasileira. "Já ficou provado que a redução do IPI para a linha branca é bom. Por que não tirar de uma vez ?", disse, ao comentar o anúncio feito ontem pelo Ministro da Fazenda, Guido Mantega, que estendeu para o final de junho a redução do IPI sobre produtos da linha branca e incluiu na redução do imposto outra lista de produtos, como móveis, laminados e luminárias.

"Eu penso que a desoneração da economia não pode ser feita de uma vez só porque a reforma tributária já se mostrou uma utopia", disse Furlan. Segundo ele, cada vez que se fala em uma reforma tributária, a União, os Estados e os municípios querem uma garantia de que não vão perder arrecadação. Quem pode dar essa garantia, na avaliação do ex-ministro, é o consumidor. "O risco ficaria com o consumidor, com possibilidade até de aumento da carga tributária. Então, a redução da carga tributária realmente tem que ser feita em partes, pegando setores e ir desonerando. Agora, tem que desonerar permanentemente", afirmou o ex-ministro, para quem, além de permanente, a desoneração deveria abranger, sobretudo, a produção e as exportações.

Ainda de acordo com o ex-ministro, de modo geral, as medidas são boas. O problema reside no longo tempo entre o anúncio das medidas e o resultado prático. Durante a entrevista, Furlan defendeu que governo apresente medidas práticas e de resultado imediato para melhorar a competitividade da indústria. "De modo geral, o governo já tem tomado medidas importantes", disse, referindo-se, por exemplo, à restituição do PIS/Cofins adotada no ano passado e que até hoje não mostrou resultado. "O que acontece é que entre o anúncio e o resultado prático leva muito tempo". Furlan criticou a burocracia do governo que, muitas vezes, emperra a implementação de medidas do presidente e dos ministros. "A burocracia, que detém o poder, não concorda com medidas tomadas por presidentes e ministros", disse Furlan.

Câmbio

O ex-ministro disse também que a atual taxa de câmbio não estimula as exportações. De acordo com ele, as empresas se renovaram, fizeram um grande esforço de redução de custos, de melhora de produtividade, de compra de equipamentos novos, capacitação de funcionários e melhora na logística. "Mas ainda assim, no nível de R$ 1,80 a exportação não deixa resultado", afirmou Furlan. Ele observa que se for levado em conta que boa parte dos custos dos exportadores é de insumos brasileiros, inclusive salários, os fretes e despesas portuárias, hoje o câmbio não é estimulante.

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