Furlan destaca mecanismos para atenuar alta dos juros

O ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, disse hoje que tem recomendado aos empresários "que esqueçam o Copom". A declaração foi feita pelo ministro, após ouvir a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que elevou a Selic de 16,25% para 16,75% ao ano.Segundo ele, o governo possui "mecanismos para atenuar a taxa de juros", referindo-se ao pleito empresarial de diminuição dos spreads bancários - diferença entre juros de captação de recursos para investimentos e taxas cobradas nos empréstimos bancários. Ele citou ainda a redução do depósito compulsório - parcela de recursos sem remuneração recolhida pelos bancos ao BC - como outra medida para diminuição dos spreads."Há um pleito no Conselho Nacional de Desenvolvimento, com opinião unânime do setor privado, de que deveria haver um trabalho de redução da carga (tributária) que ocorre sobre as taxas de juros, principalmente olhando as pequenas e médias empresas, que são as que normalmente enfrentam custos mais elevados", disse o ministro, que participa neste momento da cerimônia de abertura do Salão Internacional do Automóvel. Juros cairão apenas em 2005Ao retomar a avaliação sobre a decisão do Copom, Furlan disse acreditar que "a intervenção é temporária". "Os indicadores de inflação confirmando os últimos dados vão dar condição de reversão dessa tendência de alta dos juros", observou. Ele admitiu, entretanto, que o movimento de redução dos juros deverá ter início somente em 2005.Para 2004, o ministro estimou que os juros ficarão muito acima do projetado, ao lembrar que o orçamento geral da União projetava uma Selic de 13% para dezembro. Furlan também admitiu que a alta dos juros cria clima de abrandamento nos investimentos privados, mas, por outro lado, também cria um clima favorável em termos de risco Brasil, austeridade de política (monetária) e de compromisso com a inflação baixa.

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