Furlan está mais esperançoso sobre reunião da Alca em Miami

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, disse estar mais esperançoso do que otimista em relação à reunião de cúpula da Alca na próxima semana, em Miami, porque duas coisas importantes aconteceram nas últimas duas semanas, revertendo a sua visão mais pessimista sobre o encontro. "Primeiro, o Brasil e os EUA, co-presidentes das negociações da Alca, baixaram o tom das conversações nas duas últimas semanas. Passou-se a pensar seriamente em soluções", afirmou Furlan, que participou da abertura do Brazil Day. O ministro disse que o segundo ponto que contribuiu para deixá-lo esperançoso foi a reunião entre Mercosul e União Européia na quarta-feira passada, que foi muito positiva. "Isso tem diretamente ou indiretamente uma influência na negociação da Alca. Os riscos de a Alca não ser construída dentro do prazo (janeiro de 2005) continuam. Mas esse foco na negociação e não em buscar um bode expiatório realmente mudou de quinze dias para cá", disse Furlan. O ministro disse que o Brasil pretende construir uma proposta para a reunião de cúpula da Alca, em Miami, na próxima semana, convergindo com as discussões da semana passada entre o representante comercial Roberto Zoellick, e o ministro das Relações Externas, Celso Amorim. Segundo Furlan, os negociadores brasileiros e os ministros da área econômica tiveram uma reunião com o presidente Lula na quinta-feira passada, quando receberam as diretrizes do presidente neste sentido. Furlan não quis detalhar o teor da proposta que, segundo ele, está sendo burilada neste momento. "Mas é muito importante que Brasil e EUA tenham uma razoável convergência nas propostas para dar velocidade ao processo". Indagado sobre a importância da eliminação dos subsídios agrícolas às exportações pelos norte-americanos, Furlan lembrou que a posição dos EUA é totalmente convergente à posição brasileira. "Agora, em relação aos subsídios agrícolas internos e a acessos a mercados poderão entrar outros instrumentos, da mesma forma que estarão entrando outros instrumentos na negociação Europa e Mercosul. De maneira que o tema amplo seja discutido na OMC, mas que alguns acertos específicos possam ser negociados entre os países", afirmou o ministro. Ele espera que o resultado da reunião de Miami seja construtivo e que seja dado um passo adiante para o cumprimento dos prazos.

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