Furlan minimiza efeitos do ´socialismo´ de Chávez

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, minimizou nesta segunda-feira, durante entrevista coletiva, o que o presidente da Venezuela Hugo Chávez tem chamado de "socialismo na América do Sul", com uma onda de nacionalização de setores e empresas, e enfatizou que o Brasil mantém hoje boas relações comerciais com aquele país. "A relação do Brasil com a Venezuela é muito positiva e hoje eles são destino de exportações brasileiras mais importantes do que França, Itália e Inglaterra", disse Furlan, após participar da abertura da Couromoda, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo.De acordo com o ministro, o momento é de aprofundamento da relação comercial entre os dois países, principalmente porque a Venezuela tem se apresentado como um dos principais compradores de produtos manufaturados do Brasil. "Também temos exportado para eles serviços e obras de engenharia", acrescentou. Segundo Furlan, os encontros a serem mantidos nessa semana em Quito, no Equador, e no Rio de Janeiro, entre cúpulas governamentais, deverão abrir espaço para a "reavaliação de relações do Mercosul", especialmente após o ingresso da Venezuela no bloco.No discurso que proferiu na Couromoda, Furlan disse que o Brasil procura, neste momento, os governos da Argentina e do Uruguai para estabelecerem conjuntamente uma política do Mercosul para o setor coureiro e calçadista, uma vez que o bloco é hoje o principal fornecedor mundial de couro.No mesmo evento, o ministro disse aos empresários queixosos da atual cotação do real ante o dólar, na casa de R$ 2,15, que é momento de se "acostumar" com o valor, e que os empresários procurem ser criativos para manter as exportações, já que, nos últimos quatro anos, a administração federal adquiriu mais de US$ 150 bilhões para a formação de reservas e amortização de dívida externa, e mesmo assim o câmbio continuou a se valorizar. "Ainda não encontramos outra maneira de operação do câmbio a não ser o flutuante", disse o ministro, voltando a pregar conformismo aos empresários.

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