Furlan: otimismo da indústria volta no segundo semestre

Em meados deste ano, a indústria deverá superar o pessimismo gerado pela alta dos juros e voltar a crescer. A previsão foi feita ontem pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan. Ele não se surpreendeu com o dado divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que mostra uma desaceleração no ritmo de crescimento da atividade industrial no quarto trimestre do ano passado. "É natural que o aumento da taxa de juros provoque alguma contração na economia", disse. "Mas acredito que isso não comprometerá nossas expectativas de crescimento neste ano."Furlan comparou o quadro atual da economia com o que ocorreu no início de 2004. No final de 2003, a atividade econômica iniciou uma trajetória de aquecimento, na esteira de cortes sucessivos nas taxas de juros, o que alimentou avaliações otimistas. No entanto, a redução dos juros foi interrompida em janeiro de 2004 e, mais adiante, as taxas começaram a subir, criando nuvens no horizonte do setor produtivo. Em meados de 2004, porém, começou uma reação. O ministro acredita que o mesmo processo ocorrerá neste ano."Nós no Ministério do Desenvolvimento continuamos cultivando aquele otimismo regulamentar", disse. "Acho que são acidentes de percurso que estão acontecendo e a partir de meados do ano o otimismo vai voltar à plenitude." Furlan comentou que, desde quando veio para o governo, já viu o setor produtivo passar por "momentos de grande alegria e momentos de frustração". Na sua avaliação o desempenho da economia no ano passado serviu para desmistificar teorias como a que não seria possível conciliar o crescimento da demanda interna com exportações sem reacender a fogueira inflacionária. Ou que alguns setores estariam se aproximando da utilização total de sua capacidade instalada, o que levaria à falta de oferta de bens - e, conseqüentemente, a maior pressão inflacionária. "Nada disso se concretizou", disse. Furlan voltou a afirmar que a desvalorização do dólar ante o real está prejudicando alguns setores da economia. Ele citou como exemplo a soja, cujo preço no mercado internacional está caindo. Ao mesmo tempo, os produtores estão enfrentando aumento em seus custos de produção. "Estamos numa situação de acomodação", disse. "Nossa perspectiva é que alguns setores estão perdendo fortemente rentabilidade e outros vão continuar no esforço exportador."Ele citou alguns exemplos sobre como as empresas estão convivendo com um câmbio mais baixo. É o caso dos fabricantes de calçados. Segundo Furlan, na Couromoda, a feira anual do setor, ficou claro que as empresas brasileiras mudaram o tipo de produto que fabricam. De exportador de calçados de US$ 15,00 o par, o Brasil passou a vender modelos de maior valor agregado, na faixa de US$ 20,00 a US$ 40,00. Grifes famosas no exterior estão transferindo parte de sua produção para o País, o que abre uma perspectiva de vender bens com ainda mais valor agregado. O ministro citou como exemplo a canadense Bata. "Minha mulher gosta, mas é caro."Ainda de acordo com o ministro, setores que buscaram novos países para vender seus produtos estão conseguindo driblar a queda do dólar reajustando seus preços. Segundo Furlan, elevar os preços é mais difícil nos mercados tradicionais. O raciocínio, porém, não se aplica às commodities, que têm preço igual no mundo todo.Embora cauteloso, o ministro não deixou de dizer que, na sua avaliação, o câmbio está desajustado. "Eu tenho muito cuidado ao falar sobre isso, mas assim como mais dia menos dia o Brasil vai ter que testar taxas de juros mais parecidas com os níveis internacionais, o mesmo ocorre com a taxa de câmbio", disse.

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