Furlan pede mais investimentos em infra-estrutura

O ministro Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, reclama mais investimentos em infra-estrutura e um câmbio mais favorável para as exportações. Em entrevista ao Canal Livre, da TV Bandeirantes, ele afirmou que as vendas externas continuarão fortes nos próximos meses, apesar desses problemas. "A exportação brasileira não vai regredir, nem neste final de ano, apesar das dificuldades, nem no ano que vem", garantiu Furlan. Ele justifica que tem havido uma mudança de mentalidade de algumas empresas que fizeram do Brasil uma base de exportação permanente. "Vai haver uma continuidade de crescimento econômico", ponderou. "Agora, a velocidade do crescimento depende de ajustes de políticas macroeconômicas." Fôlego curto Furlan lembrou que, apesar de no conjunto as exportações terem crescido, há empresas que não têm condições de suportar o câmbio atual por muito tempo. "Neste momento, muitas delas começam a jogar a toalha, porque a exportação deixou de ser um negócio viável", lembrou o ministro. Ele disse que o Brasil está colhendo, no curto prazo resultados ainda muito positivos, de coisas que foram plantadas em 2003 e 2004. "Mas, no futuro vai ter que se ajustar, porque ninguém consegue sobreviver - principalmente pequenas e médias, tendo prejuízos", salientou. Câmbio não é prioridade Se por um lado o aumento das exportações provocou uma elevação do saldo da balança comercial, que neste ano deve ficar entre US$ 40 bilhões e US$ 42 bilhões, de outro acaba desvalorizando a moeda norte-americana. De acordo com o ministro, ainda que o Brasil não tenha uma meta fixa de câmbio, como, por exemplo, a Argentina, devem ser tomadas medidas para controlar melhor o valor da moeda. "Nós temos metas de política econômica e política monetária que falam em superávit primário e inflação. E todo o resto é corolário e dependente dessas duas metas", lembrou Furlan. Mesmo assim, arrisca algumas possíveis medidas a serem adotadas, como a redução da taxa de juros, diminuindo o spread para a aplicação financeira do fechamento antecipado de câmbio. "Outro poderia ser um reforma da legislação cambial brasileira, concebida para um período de escassez de divisas, no Estado Novo", citou. "Órfão de pai e mãe" Luiz Fernando Furlan evitou fazer críticas aos demais integrantes do governo que colocam o câmbio em segundo plano. "Isso depende de outras áreas do governo que não a minha", limitou-se a dizer. "Os meus colegas têm razão no alcance das suas metas, como no nosso lado nós também perseguimos as nossas metas, mesmo com essa dificuldade da taxa de câmbio." Por outro lado, lembrou que os exportadores estão chegando a uma situação insustentável para algumas empresas: "O exportador se sente hoje um pouco órfão de pai e mãe, porque fez um grande esforço e conquista de mercados, houve uma mudança cultural, inclusive na pequena e média empresas." Gargalos Fazendo coro aos setores do governo que se queixam da falta de investimentos em infra-estrutura, Furlan opinou que o governo não deveria aumentar o superávit primário, como pretendia o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. "Deveríamos cumprir o orçamento, que é 4,25%, e o remanescente deveria ser prioritariamente investido em infra-estrutura." Ele prevê que a estrutura atual não será suficiente para atender ao volume de exportadores nos próximos anos. "Nós prevemos um aumento de comércio exterior brasileiro de 215 milhões de toneladas em quatro anos, o que certamente sobrecarrega toda a infra-estrutura", ponderou o ministro. Ele pediu uma aceleração nos investimentos na área de logística, transporte, armazenagem, além do combate à burocracia. "Nós defendemos fortes investimentos em infra-estrutura e logística, porque isso vai dar sustentabilidade ao crescimento do Brasil com mais eficiência."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.