Furlan pede otimismo, critica burocracia e poupa Lula

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, apelou a líderes empresariais reunidos em almoço, em São Paulo, para que evitem o excesso de pessimismo. Segundo Furlan, não existe qualquer razão concreta nos eventos políticos dos últimos sessenta dias capaz de justificar uma mudança nos ânimos do setor privado. "Estou vendo um excesso de pessimismo", disse o ministro, "talvez por que tenhamos vivido um excesso de otimismo na virada do ano". Mas o fato, segundo Furlan, é que o capital externo continua a vir para o Brasil, o câmbio está estabilizado, o preço das commodities ? produtos que têm preços definidos no mercado internacional, independentemente de onde foram produzidos ? tem ajudado a economia brasileira e a inflação está sob controle. "Passamos por uma fase segura e temos capacidade para colher investimentos", destacou o ministro. Furlan reiterou no pronunciamento que a máquina burocrática do governo tem dificuldade de entender a urgência das prioridades estabelecidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a seus ministros. Furlan defendeu Lula, dizendo que o presidente tem o desejo legítimo de fazer as mudanças necessárias para o Brasil e que bate na mesa por elas. Porém, ele pediu ao setor privado que coloque pressão sobre Brasília para que a máquina pública se torne mais eficiente. "O presidente não faz nada sozinho, e o governo não tem condições de fazer nada sozinho. É o trabalho em equipe, vocês sabem, que vai levar a mudanças", afirmou. Furlan também afirmou que o governo tem de assumir que o panorama atual do País é muito melhor do que no ano passado. "É hora de ousar, de assumir que estamos hoje muito melhor do que éramos no ano passado", disse. Furlan repetiu que o Brasil tem sido um dos "melhores alunos da classe do FMI", e que isso dá crédito para o Brasil ousar. Crise política O ministro ressaltou, ainda, que todo o processo de crise política em Brasília está sendo feito na forma de um debate à luz da democracia e da legalidade. Segundo ele, o caso Waldomiro Diniz apanhou o governo Lula sem um plano de emergência, "pois nunca se imaginou que pudesse acontecer algo deste tipo." Furlan disse aos empresários que o presidente Lula pode não ter a experiência do setor privado, mas suas qualidades como negociador, líder e conhecedor do Brasil colocam-no em uma posição que ninguém do setor privado tem, principalmente no que diz respeito ao conhecimento da dura realidade do País.

Agencia Estado,

22 Março 2004 | 16h53

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