Furlan prevê queda de juros no médio prazo

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, disse hoje que os empresários podem apostar na queda dos juros no médio prazo e recomendou também que preparem seus negócios para um ciclo sustentado de crescimento, investindo em eficiência e inovação."Acreditem que o governo está fazendo o fundamental, o básico, e nada será mudado", comentou Furlan, referindo-se ao controle de gastos públicos que está garantindo a estabilidade econômica.O ministro afirmou, em discurso para empresários do varejo, que o risco Brasil vai cair dos atuais 600 pontos para 200 pontos até o fim do governo Lula. "O jogo do crescimento é para valer e este é o momento de vocês apostarem positivamente", reiterou. Risco Brasil é a taxa que mede a desconfiança do investidor estrangeiro na capacidade de pagamento da dívida do País. Quanto maior esta taxa, maior é a desconfiança do investidor.Crescimento provocará queda de jurosPara Furlan, os juros reais ? juros nominais descontada a inflação ?, na casa de 10% ao ano, não estão inibindo o crescimento. Ele tem opinião contrária. A aposta do ministro é que o crescimento econômico vai provocar a queda dos juros.Isso porque, segundo ele, as exportações crescentes e um superávit comercial robusto garantem um fluxo forte de dólares para o País. Este fator, somado à possível mudança nas condições de investimento público que poderá ser acertada com a missão do FMI em visita a Brasília, e à eventual avaliação positiva dos números do primeiro semestre por parte das agências de classificação de risco, vai resultar em queda da taxa de risco, o que provocará o recuo dos juros básicos no médio prazo.InflaçãoInflação em alta inibe a redução dos juros, de acordo com a atual política monetária do Brasil. Sobre este aspecto, Furlan afirma que o que carrega a inflação em primeiro lugar são os preços das commodities internacionais ? produtos com preços definidos no mercado internacional ?, como petróleo, soja e aço. O preço destes produtos, segundo Furlan, não depende nem dos juros internos e nem de qualquer ação do governo.Para Furlan, outro componente da inflação que também não depende da taxa de juros é a correção das tarifas de serviços públicos ou prestados por empresas privatizadas. O grande problema, neste caso, é haver reposição com números que refletem a inflação passada, que não têm relação com o momento atual ou com a inflação futura. De qualquer forma, segundo o ministro, trata-se de uma cláusula contratual que deve ser cumprida.Tributos e crescimentoO ministro mencionou também a "alta da carga tributária" como um dos fatores que carrega a inflação. Ele admitiu que os tributos até podem estar acima do que já foram no passado, mas isso acontece de forma "involuntária". "Aumentar essa carga não é intenção do governo, pois significa transferir os ganhos do setor privado para a área pública", afirmou.Furlan disse ainda que o crescimento de 3,5% projetado para o PIB neste ano será ultrapassado com folga. Agora, a preocupação do governo é criar condições de desenvolvimento sustentado para que o País deixe de registrar os movimentos de crescimento e recuo econômicos de forma alternada, conhecidos como "stop and go".

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