Furlan quer regulamentação de negócios em reais no Mercosul

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, cobrou publicamente do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, providências que permitam negócios em reais no âmbito do Mercosul. O ministro defende que o BC regulamente a possibilidade de negócios em moeda local, tirando a obrigação da necessidade do uso de dólares norte-americanos. "Toda e qualquer proposta que simplifique a vida de quem produz deve ser estudada", afirmou Furlan. Ele explicou que a valorização do real e o alto volume de reservas internacionais facilitariam essa decisão. Para Furlan, esta medida simplificaria os negócios de empresários de menor porte e poderia aumentar o volume de operações. Furlan disse ainda que a expectativa da iniciativa privada é que o Banco Central brasileiro reveja a regulamentação para permitir operações em reais no exterior. Adicionalmente será necessário a criação de um mecanismo para compensação desses negócios. Trata-se da clearing do Mercosul, que é estudada por entidades do setor privado, como a BM&F. "Temos de ter coragem de dizer que nossa moeda passa a valer também no exterior", afirmou Furlan, após deixar o seminário em que participou junto com Meirelles. Meirelles fala em solução duradoura Após a cobrança de Furlan, Meirelles disse que é preciso trabalhar para que alcance uma solução sustentável e duradoura e não apenas para facilitar negócios no curto prazo. No passado, segundo o presidente do BC, experiências governamentais de dar garantias à iniciativa privada foram desastrosas. "A preocupação do BC é em relação ao risco embutido nessas operações." Esta também é a preocupação do presidente do BC da Argentina, Martin Redrado, que disse que é favorável à proposta, desde que os bancos privados assumam o risco da operação. "Nós, Bancos Centrais não somos bancos privados", afirmou Redrado. Negócios com a Argentina Ao comentar a manutenção do déficit comercial da Argentina com o Brasil em mais de US$ 30 bilhões, Furlan disse que é muito difícil entender como a indústria argentina, tendo a vantagem que tem hoje de uma taxa de câmbio de 3 para 1 sobre o real e juros bem menores do que os nossos, além de um crescimento local da economia, não aumentar com maior velocidade a sua produção e vendas para o Brasil". Segundo o ministro, as exportações argentinas crescem este ano em um patamar superior as brasileiras, e, além disto, o Brasil não impõe barreiras significativas para importação de produtos argentinos. Por isso Furlan recomenda aos empresários argentinos procurarem o Brasil e apresentarem seus produtos. "O Brasil era um País que vinha sendo comprado. O cliente vinha comprar e nós resolvemos que iríamos sair para vender, o que, com isso, dobramos as exportações em três anos, e diversificamos os produtos", acrescentou o ministro.

Agencia Estado,

06 Abril 2006 | 13h29

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.