Furlan rebate críticas de alemães e culpa UE por falta de acordo

Empresários e autoridades alemãs cobram do governo brasileiro concessões na abertura de seu mercado industrial e de serviços para que a Organização Mundial do Comércio (OMC) feche um acordo até o final do mês. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luis Fernando Furlan, garante que o Brasil "não será defensivo na área de serviços" e que está preparado para fazer concessões industriais. Mas, em um encontro entre os dois países nesta segunda-feira em Berlim, alertou que são as maiores economias que precisam mostrar suas flexibilidades. "Chegou momento de fazer ofertas e temos de ter um acordo. Está na hora de concessões", afirmou o presidente da Siemens, Uriel Sharef. Para o presidente da Basf, Jurgen Strube, "não se pode mais perder tempo". "Não podemos parar, pois outras regiões continuam negociando acordos bilaterais", disse. Furlan rebateu as críticas. "Enquanto nossas tarifas máximas são de 35%, os europeus têm barreiras de até 200%", disse o ministro, que garante que o Brasil vai continuar negociando até o final do mês em busca de um entendimento. Furlan deixou claro que o Brasil não aceitará uma decisão da OMC que afete a indústria, mas lembra que em todos os cenários possíveis a abertura do mercado seria gradual e que as empresas nacionais teriam tempo para se adaptar. Ele ainda aponta que medidas como a nova lei cambial, redução da burocracia e outras medidas podem dar uma competitividade ao setor privado que compensaria pelos eventuais prejuízos de uma abertura. O ministro ainda explicou a estratégia brasileira na OMC até o final do prazo. "Temos três opções (de abertura) que serão colocadas sobre a mesa de negociação da OMC dependendo do que nos será oferecido", disse. Os alemães criticam o fato de o Mercosul e a União Européia (UE) ainda não terem fechado um acordo comercial, ainda que estejam negociando o tratado há dez anos. "O Brasil e Europa precisam definir o que de fato querem", disse Strube. O ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que nesta segunda-feira participou dos encontros como representante especial do governo, acredita que um acordo entre o Mercosul e a Europa seria um "choque na veia" e com efeitos comerciais bem mais eficientes que um entendimento na OMC. No final do mês passado, o governo brasileiro decidiu enviar uma carta aos europeus pedindo que uma nova reunião entre os dois blocos seja realizada depois do fim do prazo para um acordo na OMC. "Queremos retomar o processo", afirmou Mario Mugnaini, secretário-geral da Câmara de Comércio Exterior. Para empresários, dificilmente haverá qualquer avanço nas negociações até o final do mandato do atual governo brasileiro. TributaçãoOutra cobrança dos alemães foi a de que os dois países retomem as negociações para o estabelecimento de um acordo que evite a bitributação. Para os executivos de Berlim, um entendimento aumentará os incentivos para investir no País. Para o vice-ministro da Economia da Alemanha, Bernd Pfaffenbach, o país rompeu o acordo que tinha de tributação porque favorecia apenas o Brasil. "A Alemanha tem acordos com 80 países e rompê-los não é normal. Mas queremos um novo entendimento com o Brasil", disse. Furlan apenas explicou que o governo estava avaliando um novo texto, que incluiria até a proteção de investimentos. Mas não garante que o entendimento seja fechado ainda neste ano.

Agencia Estado,

10 de julho de 2006 | 20h05

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