Furlan tentará melhorar comércio entre Brasil e Nigéria

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, desembarcou na capital nigeriana, Abuja, determinado a negociar uma espécie de conta garantia para as importações de produtos brasileiros pela Nigéria.A idéia do ministro é reter em uma conta bancária parte do pagamento feito pela Petrobras na compra de petróleo bruto da empresa estatal Nigerian National Petroleum Corporation (NNPC). Os recursos seriam liberados somente depois que os exportadores brasileiros recebessem o pagamento das suas vendas.Em contra-partida, o governo brasileiro estuda abrir uma linha de financiamento do Programa de Estímulo às Exportações (Proex), administrada pelo Banco do Brasil, para estimular as vendas à Nigéria. Segundo Furlan, inicialmente os recursos seriam em torno de US$ 500 milhões."Se for viável, vamos fazer um projeto piloto com setores de interesse extraordinário dos nigerianos", disse o ministro, que chegou a Abuja, no domingo à noite, para uma missão comercial de 2 dias. Integram a comitiva, 35 empresários brasileiros e representantes de estatais brasileiras como Petrobras, Eletrobras e Embrapa .Os recursos do Proex, disse o ministro, poderiam ser usados para financiar a exportação de máquinas e equipamentos e obras de infra-estrutura. "Mas para isso é preciso manter um sistema razoável de garantias", explicou.O ministro ainda tentará derrubar algumas barreiras impostas pela Nigéria, que proibiu a importação de produtos como frango, pasta de dente e alguns tipos de cerâmicas. "Algumas regras infringem as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Mas nós vamos seguir pelo caminho do diálogo e da negociação".Comércio com a NigériaAs medidas fazem parte do esforço de Furlan para tentar reverter o déficit comercial brasileiro com a Nigéria de cerca de US$ 3,5 bilhões anuais. Hoje, segundo Furlan, 60% da pauta exportadora do Brasil para a Nigéria se resume a açúcar, gasolina e álcool. Para isso, o ministro precisa derrubar as resistências dos setores empresariais em função dos calotes que aconteceram nas décadas de 70 e 80. Os importadores nigerianos teriam feito o pagamento em moeda local junto aos bancos comerciais daquele País mas as divisas não foram repassadas pelo Banco Central Nigeriano ao Brasil.O governo brasileiro acabou pagando às empresas credoras por meio do Seguro de Crédito às Exportações. O Brasil calcula que o principal da dívida, não reconhecida pelo governo nigeriano, gire em torno de US$ 34 milhões.

Agencia Estado,

08 de agosto de 2005 | 12h51

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