Furlan vai trocar Cade por consultoria após quarentena

Período no Conselho foi marcado por aplicação de multa recorde, mas parentesco o tirou do caso Sadia/Perdigão

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2011 | 03h06

Aos 43 anos de idade, dos quais 20 anos dedicados ao serviço público, Fernando Furlan partirá em 2012 para um voo solo no setor privado. Quando deixar a presidência do Cade, ele pretende abrir uma consultoria. Até lá, será necessário se afastar por pelo menos quatro meses de qualquer atividade ligada à concorrência.

Por isso, o período de quarentena será cumprido na China. Furlan se mudará com a família - a esposa e duas filhas pequenas - para fazer um pós-doutorado em defesa comercial. "Acho que alguém que vá estudar defesa comercial no mundo tem que estudar a China", justificou.

Apesar de ter comandado o órgão antitruste por pouco tempo, Furlan se orgulha de estar à frente de casos emblemáticos que passaram pelo Cade. Um deles foi a condenação de fabricantes de gases hospitalares e industriais que integravam o "cartel do oxigênio". Ele sugeriu, e foi acompanhado pelos colegas por unanimidade, o pagamento da multa recorde de R$ 3 bilhões.

Outro episódio marcante comandado por Furlan foi o de que, pela primeira vez na história, um veto do Conselho foi concluído sem empacar na esfera judiciária. O caso foi a união Saint-Gobain e Owens Corming no Brasil, em 2008. O órgão determinou a venda de uma das plantas de produção, o que foi feito este ano para a chinesa Chongqing Polycomp.

Antes de chegar à presidência, o então conselheiro liderou a condenação da Ambev pelo seu programa de fidelização "Tô Contigo". A pena pela prática de concorrência desleal e prejuízo da concorrência determinada para a cervejaria foi de R$ 352 milhões, a maior do órgão até a multa do "cartel do oxigênio".

Apesar de seu perfil de atuação, Furlan se considerou impedido de participar do julgamento da fusão entre Sadia e Perdigão, que gerou a BRF Brasil Foods. Ser primo de terceiro grau de sócios da companhia acabou frustrando sua participação no maior caso da histórica do Cade./ C.F. e E.R.

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