Furnas: 60% do saldo do FGTS poderá ser usado

O trabalhador poderá utilizar até 60% do saldo da conta do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a compra de ações de Furnas Centrais Elétricas S/A. A decisão foi tomada ontem pelo Conselho Nacional de Desestatização (CND). As aquisições dos papéis da estatal, no entanto, estão limitadas aos R$ 2,2 bilhões da carteira vinculada ao Fundo de Compensação e Variação Salarial (FCVS).O ministro de Minas e Energia, José Jorge, disse que os papéis serão colocadas no mercado seguindo o mecanismo de pulverização. Uma das idéias reveladas pelo ministro é que os clientes de distribuidoras que compram energia de Furnas poderiam pagar pelas ações nas respectivas conta de luz. Um exemplo, segundo ele, seria o parcelamento em até seis vezes.Processo de venda pode seguir modelo da PetrobrásA compra das ações com recursos do FGTS será igual ao processo de venda dos papéis da Petrobrás, ocorrida em agosto do ano passado. Os trabalhadores tiveram um desconto de 20% sobre o preço estabelecido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Para isso, deverão ficar com os papéis por, no mínimo 12 meses. Caso o resgate seja feito antes desse período - entre 6 e 12 meses -, o trabalhador perde metade do desconto, ou seja, 10%. Privatização não deve ter resistência políticaO ministro José Jorge informou também que não via na resistência de políticos nenhum obstáculo para a privatização de Furnas. Segundo ele, isso acontece porque o governo decidiu colocar no mercado todos os papéis que possui na empresa. Mas, nesse caso, será necessária a separação dos ativos de geração de energia (os que serão vendidos) daqueles que representam a transmissão de energia. Em seguida, cada acionista da Eletrobrás terá direito a ações desta empresa que vai surgir da fusão. Ou seja, o investidor que tem uma ação ordinária (ON, com direito a voto) da Eletrobrás terá uma ação ON da empresa a ser vendida. O governo vai vender as ações que tem nesta empresa de geração. Como a participação dos minoritários é equivalente a 30%, o restante, que corresponde a 70%, será vendido pela União. O modelo de privatização da geradora federal ainda será submetido ao presidente Fernando Henrique Cardoso para que possa ser divulgado. Somente após a aprovação é que também será anunciado o cronograma de venda de Furnas. O CND também decidiu retomar a análise de vendas de empresas estaduais de energia elétrica e de saneamento e os leilões para a construção de usinas hidrelétricas e linhas de transmissão.

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